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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Pedro Taques critica gestão Mauro Mendes, defende a segurança pública e confirma pré-candidatura ao Senado

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan Sul Mato-Grossense, ex-governador falou sobre retorno à política, combate ao crime organizado e denúncias envolvendo consignados dos servidores

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Pedro Taques em entrevista a Radio Jovem Pan em Rondonópolis- Foto: Varlei Cordova/AgoraMT

O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Pedro Taques (PSB), esteve na manhã desta quinta-feira (15) na Rádio Jovem Pan Sul Mato-Grossense, em Rondonópolis (MT), emissora que integra o Grupo Agora de Comunicação, parceiro do Portal AgoraMT. Durante entrevista conduzida pelo apresentador Carlos Vanzeli, Taques comentou os motivos que o levaram a retornar para a vida pública após anos afastado da política.

Durante a entrevista, Taques relembrou sua trajetória como procurador da República, senador e governador, destacou que após deixar o governo voltou a exercer a advocacia e afirmou com orgulho que, em seus anos de gestão pública nunca respondeu a inquéritos, ações penais ou processos por improbidade administrativa. Segundo ele, o retorno ao debate político ocorreu após críticas feitas à atual política de segurança pública do Estado, que, de acordo com o pré-candidato, refletem uma “responsabilidade com Mato Grosso”.

Um dos principais pontos abordados por Taques foi a situação da segurança pública, que ele classificou como grave. O pré-candidato afirmou que Mato Grosso enfrenta hoje índices de violência superiores aos de estados como Rio de Janeiro e São Paulo, citando dados de homicídios por 100 mil habitantes. Ele também destacou o crescimento dos feminicídios, apontando que o Estado lidera o ranking nacional pelo terceiro ano consecutivo.

Taques responsabilizou diretamente o governador Mauro Mendes (União) pela condução da área e afirmou que o Estado está “dominado” por facções criminosas, inclusive com bairros inteiros sob controle do crime organizado. Segundo ele, comerciantes, trabalhadores autônomos e pequenos empresários estariam sendo extorquidos por organizações criminosas, pagando taxas para conseguir trabalhar. Tem gente pagando para trabalhar, pagando para abrir comércio. Isso é extorsão, isso é domínio territorial, declarou.

O ex-governador também criticou a redução do efetivo da Polícia Militar, afirmando que Mato Grosso possui hoje um pouco mais de 6 mil policiais,  número inferior ao registrado em 2016, apesar da dimensão territorial do Estado que exige um mínimo de 12 mil agentes nas ruas. Ele defendeu ainda a convocação dos aprovados no último concurso público (2021) e afirmou estar atuando judicialmente em favor desses candidatos.

Em relação ao sistema penitenciário, Taques destacou que as unidades prisionais se tornaram centros de articulação do crime, com facções comandando ações de dentro das cadeias “quase um telemarketing”, disse. Para ele, é necessário endurecer o regime carcerário, investir em inteligência policial e impedir que presos tenham acesso a celulares. “Enquanto preso mandar mensagem de dentro da cadeia, o crime vai continuar mandando aqui fora”, afirmou.

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Pedro Taques – Foto: Varlei Cordova/AgoraMT

Outro ponto forte da entrevista foi a denúncia de irregularidades em empréstimos consignados, especialmente envolvendo o Banco Master e outras consignatárias. Segundo Taques, mais de 40 mil servidores públicos teriam sido prejudicados por cobranças abusivas, com descontos excessivos em folha de pagamento.

Ele afirmou que, somente neste ano, o governador oficialmente regulamentou o setor para proteger os servidores, mas criticou a atual gestão por não agir rapidamente diante de denúncias feitas pelos sindicatos ao longo de 2024. Pedro disse atuar juridicamente na defesa de servidores afetados e classificou o caso como um escândalo financeiro.

Propostas e posicionamentos

Entre as propostas defendidas, Pedro Taques destacou a garantia de recursos permanentes para a segurança pública, sem contingenciamentos, além de mudanças na legislação penal, como a possibilidade de que adolescentes entre 16 e 18 anos respondam como adultos em crimes hediondos, mediante avaliação judicial.

Ele também defendeu maior rigor contra crimes financeiros e afirmou que o crime organizado não se restringe às camadas mais pobres, envolvendo também grandes empresários, super ricos, políticos e agentes públicos. “Crime organizado não é só o menino da periferia com droga”, destacou.

Ao final da entrevista, Pedro Taques reforçou sua defesa da Constituição, da democracia e do respeito às instituições, afirmando que é favorável a reformas pontuais, como a revisão de decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal, mas sem ruptura institucional ou discursos de ódio.

Ele declarou não adotar posições extremistas, disse não ter “criminosos de estimação” e afirmou que sua atuação política é guiada pelo cumprimento da lei. Taques também criticou a polarização política e defendeu um ambiente de diálogo, afirmando que a política deve servir para substituir a violência e o conflito, e não ampliá-los.

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