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ENTRE 2006 E 2023

Em 17 anos uso abusivo de álcool quase dobra entre mulheres, aponta estudo

Pesquisa da UFMG também identificou aumento do consumo abusivo em diferentes perfis da população das capitais brasileiras

Fonte: R7
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Em 17 anos, uso abusivo de álcool quase dobra entre mulheres, aponta estudo – Foto: Ilustração Canva

Um estudo coordenado pela Escola de Enfermagem da UFMG revela que o consumo abusivo de álcool cresceu entre adultos que vivem nas capitais do Brasil, principalmente entre as mulheres, tendência que afasta o país da meta internacional de redução prevista até 2030.

A pesquisa analisou dados de 2006 a 2023 do sistema Vigitel, abrangendo mais de 750 mil entrevistados Segundo a coordenadora da pesquisa, Débora Malta, o indicador monitora o “consumo abusivo do álcool”, caracterizado por quem consumiu, nos últimos 30 dias e de uma única vez, “quatro ‘drinks’ ou mais em uma única ocasião no caso de mulheres ou cinco ‘drinks’ ou mais em uma única ocasião no caso de homens.

A pesquisadora destaca que o uso excessivo está ligado a fatores culturais: “Busca-se dizer que a forma que o brasileiro tem de celebrar e de comemorar é sempre usando a bebida alcoólica. Isso é socialmente aceitável”, afirma

Crescimento entre mulheres e a influência do marketing

O aumento foi mais expressivo entre as mulheres, cuja taxa praticamente dobrou no período, passando de cerca de 7% para 15%. Entre o público feminino, o crescimento foi registrado em 23 capitais, com maior prevalência em estados como Mato Grosso do Sul, Bahia e Sergipe.

Para Malta, o marketing de produtos feitos para esse público tem papel importante no crescimento. “Existe toda uma indução, existe um marketing muito dirigido para essas mulheres, inclusive com produtos específicos”, explica.

Para a pesquisadora, a indústria utiliza mensagens direcionadas e lideranças femininas, tanto na grande mídia quanto nas redes sociais, para estimular esse hábito.

Riscos à saúde e metas da ONU

O estudo reforça que o álcool está associado a mais de 20 causas de doenças e mortes, como câncer, doenças cardiovasculares e acidentes Débora Malta é enfática ao citar a Organização Mundial da Saúde: “A OMS adverte: Não há nenhum nível seguro de consumo de álcool”

Esse cenário coloca o Brasil em uma posição difícil perante os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que preveem uma redução de 10% no consumo até 2030. Para isso, a taxa total deveria chegar a 15,5%. No entanto, com base nas tendências atuais, a projeção é de 22,2% até 2030, indicando que o país está se afastando da meta.

“Em todos os cenários, verificamos que essa meta não será atingida, porque o que estamos é exatamente na contramão desse processo”, lamenta a professora

Perfil do consumo

O estudo também identificou aumento do consumo abusivo em diferentes perfis da população:

  • Pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade (de 18,1% para 24%)
  • População de pele branca, negra e parda
  • Moradores das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul

A alta foi observada em quase todas as faixas etárias, com exceção de jovens entre 18 e 24 anos e adultos de 45 a 54 anos.

Caminhos para a regulação

Para reverter o avanço, que é classificado como um “problema de saúde pública” pelos altos custos ao SUS e prejuízos às famílias, a pesquisadora defende medidas regulatórias mais rígidas. Ela critica a obsolescência da legislação de 1996, que só restringe propagandas de bebidas com teor alcoólico acima de 13% de álcool etílico absoluto em volume. Com isso, “as cervejas, por exemplo, têm livre acesso para o marketing e propaganda, e isso acaba tendo um peso muito grande”.

Entre as soluções sugeridas por Malta estão:

  • Revisão da lei de publicidade: Para incluir bebidas de menor teor alcoólico.
  • Intervenções em eventos: “Medidas como proibir o open bar são muito bem-vindas”.
  • Redução de danos: Obrigar estabelecimentos a fornecerem “gratuitamente água para o consumo”.
  • Restrição de horários: Citando o exemplo de municípios que, ao proibirem a venda após as 23h, viram uma “redução das taxas de homicídio”

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