
A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15), desacelerou e ficou em 0,44% em março, 0,40 ponto percentual abaixo da taxa registrada em fevereiro (0,84%), informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (26).
O resultado foi influenciado, principalmente, pela alta nos preços da alimentação e bebidas e despesas pessoais. Segundo o instituto, o grupo dos alimentos teve a maior variação, de 0,88%. Já as despesas foram 0,82%.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Para efeito de comparação, em março do ano passado, a prévia havia marcado 0,64%.
Alimentação
Segundo o instituto, as maiores altas na alimentação foram do açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e das carnes (1,45%).
A alimentação feita em casa acelerou de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março.
Por outro lado, a alimentação fora do domicílio saiu de 0,46% em fevereiro para 0,35% em março. A refeição (0,31%) registrou variação inferior à verificada no mês anterior (0,62%), enquanto o lanche aumentou de 0,28% para 0,50%, no mesmo período.
Passagem aérea puxa transporte
No grupo Transportes (0,21%), as passagens aéreas lideraram as altas, com salto de 5,94% — o maior impacto individual do mês (0,05 ponto percentual). O ônibus intermunicipal subiu 1,29%, refletindo reajustes de até 12,61% no Rio de Janeiro e 7,27% em Curitiba.
O táxi encareceu 0,56%, com aumentos de 18,70% em Fortaleza, 4,53% em Salvador e 4,26% em Porto Alegre. Já o ônibus urbano caiu 0,59%, beneficiado pelas gratuidades de domingos e feriados em algumas cidades — embora tenha havido reajuste de 20% em Fortaleza.
Os combustíveis recuaram levemente, com quedas no gás veicular (-2,27%), no etanol (-0,61%) e na gasolina (-0,08%). O diesel, por sua vez, subiu 3,77%.
Outros grupos
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram variação positiva em março. Além dos alimentos e despesas pessoais, que ganharam destaque, os demais tiveram variações que ficaram entre o 0,03% de comunicação e o 0,47% de vestuário.
No grupo da saúde e cuidados pessoais, por exemplo, a variação foi de 0,36%, com destaque para o plano de saúde e os artigos de higiene pessoal, que subiram 0,49% e 0,38%, respectivamente.
Já em habitação, o grupo teve uma aceleração de 0,06% em fevereiro para 0,24% em março, influenciado pelo resultado da energia elétrica residencial (0,29%), que contempla os reajustes médios de 15,10% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (1,82%).
A taxa de água e esgoto (0,44%) também refletiu reajustes tarifários: 6,56% em Belo Horizonte (2,20%) e 6,21% em uma das concessionárias de Porto Alegre (2,13%). No subitem gás encanado (-0,99%), houve redução de 4,01% nas tarifas em Curitiba (-2,39%) e, de 4,44% no Rio de Janeiro (-2,30%).


