
É sexta-feira de pagamento, e um shopping popular localizado no leste de Caracas, Venezuela, está lotado. Mas enquanto os corredores parecem cheios e as vitrines estão bem iluminadas e abastecidas, muitas pessoas entram e saem de mãos vazias.
Os compradores caminham, olham, comparam preços, mas compram muito pouco.
A exceção é uma loja pertencente a uma renomada marca internacional de lingerie, em torno da qual se formou uma fila após o anúncio de descontos especiais em certos produtos.
Esta é uma cena recente, mas reflete uma realidade que também existia antes de 3 de janeiro — quando o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados pelos Estados Unidos em uma operação militar na capital.
Na praça de alimentação do shopping, os clientes frequentemente pagam usando um aplicativo que concede pequenas linhas de crédito vinculadas a certos comerciantes. Esses créditos são pagos posteriormente em parcelas.
Seu uso tornou-se incrivelmente popular, particularmente para a compra de roupas e eletrodomésticos, embora também seja usado para pagar desde um hambúrguer até compras de supermercado.
Isso ocorre em um país com hiperinflação e um “depósito compulsório”, ou a porcentagem de fundos que os bancos são obrigados a manter em reserva, dando a pouquíssimas pessoas acesso a cartões de crédito.
Apesar de uma sensação de otimismo por reformas políticas e econômicas, os venezuelanos pesquisados pela CNN Internacional sentem que suas vidas diárias permanecem inalteradas, mesmo após anúncios de investimentos e projeções de crescimento econômico.
Atualmente, o valor de três meses de salário mínimo não chega nem a US$ 1 (cerca de R$ 4,90, na cotação atual).
O dinheiro entra e é gasto em um ritmo brutal dentro de um ambiente de alta inflação marcado, em particular, pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos.
Inflação persiste 100 dias após o início do governo de Delcy Rodríguez
Mais de 100 dias se passaram desde que Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina da Venezuela.
Durante esta nova era nas relações bilaterais com os Estados Unidos — um país que se comprometeu a apoiar a Venezuela por meio de uma fase de estabilização econômica e transição — mudanças concretas foram anunciadas.
Um exemplo disso é a flexibilização das sanções do Departamento do Tesouro dos EUA impostas anteriormente ao Banco Central da Venezuela, ao Banco da Venezuela e a outras entidades bancárias.
Este movimento abre as portas para uma maior integração com o mercado global e um aumento nas receitas em moeda estrangeira.
A isso soma-se a retomada das negociações entre o governo interino, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
Em um discurso em 19 de abril, Rodríguez referiu-se às expectativas de melhora econômica desde a transição de poder em 3 de janeiro.
“Reconheço as altas expectativas da nossa população, e nossas equipes estão trabalhando para alcançar melhorias dentro de um prazo razoável”, afirmou ela.
Ela se referiu a uma série de variáveis econômicas, observando que “o produto interno bruto está crescendo quase 9%, com 20 trimestres consecutivos de expansão”, e expressou sua expectativa de que esse crescimento se traduza em mais empregos, rendas mais altas e oportunidades mais tangíveis para os cidadãos.


