
Mato Grosso possui 11 barragens consideradas prioritárias para gestão da segurança, segundo o Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Dessas estruturas, 10 pertencem ao setor de mineração e uma é destinada à geração de energia elétrica.
As barragens foram classificadas como prioritárias por apresentarem, simultaneamente, Categoria de Risco (CRI) alta ou evidências de comprometimento estrutural e Dano Potencial Associado (DPA) alto ou médio, critérios utilizados para identificar estruturas que exigem acompanhamento mais rigoroso dos órgãos fiscalizadores.
De acordo com o levantamento, sete dessas barragens estão localizadas em Nossa Senhora do Livramento, duas em Poconé, uma em Pontes e Lacerda e uma corresponde à Usina Hidrelétrica (UHE) de Colíder.
Entre as estruturas listadas estão as barragens Bacia de Rejeitos, Santa Maria, Barragem do Serginho, Jaburu, Neta, BR02 e Barragem Manah 1, em Nossa Senhora do Livramento; Bacia de Rejeitos São Bento e Isa, em Poconé; Fortuna, em Pontes e Lacerda; e a UHE Colíder.
Segundo a ANA, a classificação de Categoria de Risco leva em consideração fatores como características técnicas, estado de conservação da estrutura e cumprimento das exigências previstas no Plano de Segurança de Barragens. O relatório ressalta que uma barragem pode receber classificação de risco elevado mesmo sem apresentar comprometimento estrutural, caso o empreendedor deixe de cumprir obrigações legais e documentais.
Entre as barragens listadas, a Neta é a única considerada abandonada e embargada. Conforme o relatório, a estrutura sofreu um acidente em abril de 2025, com comprometimento parcial da barragem e liberação de rejeitos. De acordo com informações da Defesa Civil de Nossa Senhora do Livramento, houve posteriormente reforço no talude da estrutura. Em caso de rompimento total, o principal impacto esperado seria ambiental, já que não existem residências próximas ao local.
A Usina Hidrelétrica de Colíder também permanece na lista de estruturas prioritárias. Em 2025, a unidade registrou problemas em seu sistema de drenagem, situação que levou ao rebaixamento do reservatório e à adoção de medidas emergenciais. Posteriormente, a usina retornou ao estado de atenção, mas continua sendo monitorada pelos órgãos competentes.
O relatório informa ainda que Mato Grosso possui 658 barragens cadastradas sob fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). Desse total, 48 estruturas ainda não foram verificadas quanto ao enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).
A publicação também destaca que a Sema-MT foi um dos órgãos estaduais que mais ampliou o cadastro de barragens em 2025, com a inclusão de 243 novas estruturas, alcançando o total de 658 barragens sob sua jurisdição.
As barragens de mineração são fiscalizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), enquanto a Usina Hidrelétrica de Colíder está sob responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O Relatório de Segurança de Barragens 2026 recomenda acompanhamento contínuo dessas estruturas e reforço das medidas previstas na Política Nacional de Segurança de Barragens para reduzir riscos à população e ao meio ambiente.


