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PROJETO NA CÂMARA

Feriado de Padroeiro divide opiniões em Rondonópolis; ACIR e CDL apontam impactos e igreja defende potencial turístico

Entidades empresariais se posicionam contra criação de novo feriado municipal por preocupação com custos para empresas

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Bispo Dom Maurício e vereador Alikson Reis saem em defesa do Projeto para decretar feriado o dia do Padroeiro de Rondonópolis – Foto: Reprodução

A proposta de criação de um novo feriado municipal em homenagem a São João Batista, padroeiro de Rondonópolis (MT), passou a movimentar o debate público na cidade e dividiu opiniões entre lideranças religiosas, representantes empresariais e membros do Legislativo.

O projeto de lei está em tramitação na Câmara Municipal e deve ser analisado pelos vereadores nas próximas sessões. A proposta tem autoria do vereador Alikson Reis (Podemos), que vem defendendo com frequência pautas ligadas à religiosidade e cultura no município.

Durante a apresentação da pauta na Câmara, o bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, Dom Maurício, destacou que São João Batista já possui reconhecimento oficial como patrono do município desde 2008, por meio da Lei Municipal nº 5.505, mas que ainda existe o desejo de transformar a data de 24 de junho em feriado municipal.

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Bispo Dom Maurício – Foto: Ana Clara Costa/ TV Cidade Record

“Desde 2008, aqui na Câmara de Vereadores, foi aprovada uma lei que coloca São João Batista como patrono da cidade. É um profeta, um personagem bíblico importantíssimo. É ele que preparou a vinda de Jesus e Rondonópolis tem essa graça de ter como patrono São João”, afirmou.

Segundo o bispo, a criação do feriado não teria apenas caráter religioso, mas poderia fortalecer eventos culturais e movimentar a economia local.

“Não é só um pedido dos católicos, é um pedido da comunidade de Rondonópolis para que se torne feriado aqui, para atrair festas, shows, cultura, festa junina”, declarou.

O vereador Alikson Reis afirmou que a proposta busca valorizar a tradição e a cultura do município. Segundo ele, caso o feriado seja aprovado, existe a possibilidade de realização de grandes eventos na cidade. O parlamentar afirmou que pretende destinar emendas para viabilizar uma programação especial, incluindo a possibilidade de um show católico com Frei Gilson, que é popularmente conhecido no mundo cristão.

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Vereador professor Alikson Reis (PODEMOS). Foto: Assessoria de Comunicação

“Se aprovado o dia de São João Batista, além desse momento festivo que acontece, as festas juninas em várias localidades, nós (vereadores) vamos trazer um grande show católico do Frei Gilson, que nunca veio em Rondonópolis, através das nossas emendas”, disse.

Alikson defendeu que a celebração poderia atrair visitantes de cidades da região e movimentar diferentes setores.

“Nós teremos Primavera do Leste, Campo Verde, Dom Aquino, até mesmo Cuiabá, ou seja, todo o estado de Mato Grosso vai vir para Rondonópolis. Então nós vamos fomentar a rede de hotelaria, o vendedor de espetinho, o vendedor de salgado, as pizzarias do município, entre outros”, afirmou.

Entidades empresariais são contrárias

Do outro lado do debate, entidades representantes do setor produtivo demonstraram preocupação com a criação de mais um feriado municipal.

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Nota oficial da ACIR sobre criação de feriado de São João Batista – Foto: Instagram

A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Rondonópolis (ACIR) publicou uma nota destacando respeito à fé cristã, à Igreja Católica e à importância histórica de São João Batista, mas afirmou ser contrária especificamente à criação de um novo feriado.

Segundo a entidade, a medida pode gerar impactos para comércio, indústria, serviços e pequenos empreendedores, com aumento de custos, redução de dias produtivos e reflexos na competitividade das empresas.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Rondonópolis também se posicionou contra a proposta. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente da entidade, advogado Leonardo Resende, afirmou que a preocupação não está relacionada à questão religiosa, mas aos efeitos econômicos.

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Presidente da CDL, doutor Leonardo Santos de Resende. Foto: Varlei Cordova/ Portal AgoraMT

“Não estamos aqui falando de religião ou posicionamento social, estamos falando de feriado e das consequências para a economia do nosso município”, afirmou.

Segundo ele, um novo feriado pode pesar principalmente para pequenos empresários.

Já o padre Erivelton, que é amplamente conhecido na cidade, principalmente no meio católico, também se manifestou em defesa da proposta e afirmou que Rondonópolis poderia transformar a celebração de São João Batista em um grande evento cultural e religioso.

Ele citou como exemplo cidades que conseguiram fortalecer a economia por meio de festas tradicionais, como Campina Grande (PB), conhecida nacionalmente pelas celebrações juninas.

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Padre Erivelton – Foto: Site Caminho da Fé

“Celebrar o padroeiro não é parar a cidade. É movimentar a economia, fortalecer a cultura, preservar a história e valorizar a própria identidade”, afirmou.

Segundo o religioso, o feriado poderia abrir espaço para valorização de artistas locais, gastronomia, turismo e eventos.

O projeto agora aguarda análise dos vereadores, que deverão discutir os argumentos apresentados pelos defensores da proposta e pelos representantes do setor empresarial antes da votação.

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