
A Igreja Católica celebrou neste sábado (13) a beatificação do padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que dedicou quase três décadas de sua vida à evangelização e ao trabalho social em Mato Grosso. A cerimônia foi realizada na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Jauru (MT), município onde o sacerdote atuou por cerca de 30 anos e onde foi assassinado em 2001.
A celebração foi presidida pelo cardeal Dom João Braz de Aviz, enviado especial do Papa Leão XIV. Durante a cerimônia, foi lida a Carta Apostólica que reconhece oficialmente o sacerdote como beato da Igreja Católica, autorizando sua veneração pública e estabelecendo o dia 12 de janeiro como data litúrgica em sua memória.
A beatificação representa um marco para a Igreja no Brasil e especialmente para Mato Grosso, onde Padre Nazareno construiu um legado marcado pela evangelização, assistência aos mais necessitados e defesa da dignidade humana.

Nascido em Roma, na Itália, em 3 de março de 1940, Nazareno Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966. Em 1971, conheceu a Operação Mato Grosso e decidiu deixar seu país natal para atuar como missionário no Brasil. No ano seguinte, estabeleceu-se em Jauru, cidade localizada na região oeste do estado, próxima à fronteira com a Bolívia.
Ao chegar ao município, encontrou uma realidade marcada por dificuldades estruturais e carência de serviços básicos. Movido pela fé e pela missão evangelizadora, iniciou uma série de obras sociais que transformaram a comunidade local.
Entre suas realizações estão a fundação do Asilo Coração Imaculado de Maria, a construção da Igreja Nossa Senhora do Pilar, a criação de espaços de catequese para crianças e o apoio à implantação de um hospital para atender a população da região. Também participou da fundação do Seminário Menor de Jauru e se tornou responsável nacional do Movimento Sacerdotal Mariano.
Além do trabalho religioso, Padre Nazareno destacou-se pela defesa dos mais vulneráveis. Atuou no combate ao tráfico de drogas, à exploração sexual de crianças e adolescentes e a outras formas de violência e injustiça social.
Segundo a Igreja, foi justamente essa atuação firme em defesa da vida e da dignidade humana que despertou a hostilidade de grupos criminosos. Na noite de 11 de fevereiro de 2001, dois homens encapuzados invadiram sua residência e efetuaram um disparo que o atingiu na região da nuca. Gravemente ferido, o sacerdote permaneceu internado por 11 dias e morreu em 22 de fevereiro daquele ano, aos 61 anos.
Mesmo diante do sofrimento, testemunhas relatam que Padre Nazareno perdoou seus agressores antes de morrer.
Em abril de 2025, o Vaticano reconheceu oficialmente que sua morte ocorreu por ódio à fé cristã, condição necessária para o reconhecimento do martírio. A decisão abriu caminho para a beatificação, concluída neste mês de junho.
Durante a cerimônia em Jauru, também foram apresentadas ao público a imagem oficial do novo beato e uma relíquia de primeiro grau, composta por fragmentos de seus ossos. Outra relíquia contendo sangue derramado durante o martírio deverá ser distribuída às dioceses brasileiras.
Na homilia, o cardeal Dom João Braz de Aviz destacou que a vida do novo beato foi sustentada por uma profunda devoção à Eucaristia e à Virgem Maria. Segundo ele, Padre Nazareno deixou sua terra natal para seguir o Evangelho e colocou sua vida a serviço dos mais pobres, tornando-se um exemplo de fé, coragem e amor ao próximo.
No domingo (14), o Papa Leão XIV também destacou a beatificação durante mensagem aos fiéis, afirmando que o exemplo e a intercessão de Padre Nazareno Lanciotti fortalecem a missão dos sacerdotes e de toda a Igreja. O pontífice recordou o missionário como um mártir que dedicou sua vida aos pobres e à promoção da justiça social inspirada pelo Evangelho.
Com a beatificação, Padre Nazareno passa a integrar oficialmente a lista de beatos da Igreja Católica, sendo reconhecido como testemunha da fé cristã e exemplo de santidade para os fiéis do Brasil e do mundo.


