
O desaparecimento de um jovem de 28 anos tem mobilizado familiares, amigos e forças de segurança em Rondonópolis (MT) neste fim de semana. Watila Gomes Pereira está desaparecido desde a manhã da última sexta-feira (15), após sair do trabalho e enviar uma mensagem informando que estava retornando para casa. Horas depois, o carro que ele utilizava foi encontrado abandonado próximo ao bairro Jardim Três Américas, com vestígios de sangue e uma carta manuscrita no interior do veículo.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
Segundo informações do boletim de ocorrência, Watila trabalhava como segurança em uma empresa privada no bairro Vila Goulart. Na manhã de sexta-feira, por volta das 7h20, ele enviou uma mensagem para Wilson Vieira de Araújo, conhecido como Zayro Araújo, informando que havia chegado à base da empresa e que estava indo para casa.
Watila morava com Zayro há cerca de oito anos e utilizava diariamente o carro dele para se deslocar até a base da empresa. Em entrevista exclusiva ao portal AGORAMT, Zayro relatou que na quinta-feira (14), Watila saiu de casa por volta das 17h. Antes de seguir para o trabalho, ele teria passado em uma loja para pagar uma prestação a pedido de Zayro. Já às 18h20, enviou mensagem informando que havia chegado ao posto e confirmou que havia realizado o pagamento. Pouco depois, ainda trocou mensagens normalmente e enviou uma foto mostrando o início da chuva.
A última mensagem enviada por Watila ocorreu na manhã de sexta-feira, às 7h20, quando informou que estava na base da empresa, pegando o veículo para retornar para casa.
Zayro contou que estranhou a demora do rapaz em chegar na residência, já que o trajeto normalmente levava cerca de 20 minutos.
“Ele sempre chegava em uns 15 ou 20 minutos. Como demorou muito, comecei a ligar várias vezes e ele não atendia. Aí já fiquei preocupado”, relatou.
Horas depois, uma amiga da família informou ter visto um veículo de Zayro, um BYD estacionado próximo ao mercado, em uma rua acima da residência onde eles moravam, no bairro Jardim 3 Américas.
Ao chegar no local, Zayro encontrou o carro abandonado e com a porta aberta. Dentro do veículo estavam a chave, uma carta de despedida e o jaleco utilizado por Watila no trabalho, com manchas de sangue.
De acordo com o boletim registrado pela Polícia Civil, a carta dizia que Watila pretendia tirar a própria vida, que estava “desgotoso com a vida” e pedia que avisassem familiares e acionassem a empresa onde trabalhava para pedir a rescisão e ajudar nos custos funerários. Em um dos trechos, ele afirma que iria “para perto do mato terminar de morrer”.
Apesar do conteúdo encontrado, nenhum corpo foi localizado até o momento.
“A letra parecia ser dele, mas a forma de escrever estava estranha. Algumas partes eram de caneta preta e outras de caneta azul. Nós fizemos buscas com bombeiros, polícia e voluntários em áreas de mata, mas até agora não encontramos nenhum corpo, nenhum vestígio. E se não há corpo, não há confirmação de suicídio”, disse.
Ainda conforme a ocorrência, investigadores da DHPP estiveram no local juntamente com equipes da Polícia Militar, Politec e Corpo de Bombeiros. Buscas foram realizadas em uma área de mata próxima ao ponto onde o veículo foi abandonado, mas sem sucesso.
A Polícia Civil informou que o local já estava parcialmente comprometido quando os investigadores chegaram, já que familiares e outras pessoas haviam manuseado alguns objetos dentro do veículo, incluindo a carta.
Em entrevista ao AgoraMT, Zayro afirmou que alguns detalhes encontrados no texto levantaram estranhezas para a família.
“Ele me chamava de Zayro, mas na carta escreveu Wilson, que é meu nome de registro. Também escreveu meu telefone errado. Achei tudo muito estranho”, contou.
Segundo ele, Watila era conhecido por ser tranquilo, educado e trabalhador.
“Ele não tinha problema com ninguém. Trabalhava, me ajudava em casa, treinava comigo. Watila morava comigo, mas não éramos um casal. Era como um filho pra mim. Nunca me deu trabalho, me ajudava em tudo e eu o ajudava ele também”, contou Zayro emocionado.
O boletim ainda aponta que, há cerca de dois anos, Watila teria deixado outra carta mencionando intenção de possível suicídio. Ainda conforme o registro, ele não fazia uso de drogas, não tomava medicação controlada e não mantinha relacionamento amoroso.
Até a publicação desta matéria, Watila Gomes Pereira segue desaparecido.
A família pede que qualquer informação sobre o paradeiro do jovem seja repassada pelo telefone: (66) 99985-2174, falando com Zayro Araújo.



