A Justiça converteu em prisão preventiva a detenção de José Carlos de Souza Gomes, de 20 anos, acusado de assassinar brutalmente a estudante de Direito Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, em Tangará da Serra (MT). A decisão foi tomada pelo juiz plantonista Anderson Gomes Junqueira durante audiência de custódia realizada no último sábado (9).
O suspeito confessou o crime à Polícia Civil e responderá por feminicídio, estupro e roubo.
Valéria foi encontrada morta dentro da própria quitinete, no bairro Jardim Itália, na noite da última quarta-feira (6). A jovem estava com mãos e pés amarrados, o rosto coberto e apresentava diversas perfurações provocadas por faca, principalmente na região do pescoço.
Segundo o depoimento, José Carlos teria conhecido a vítima em um site de acompanhantes há cerca dois meses e desde então se tornou cliente fixo dela, pagando em média R$ 200,00 a R$ 300,00 por encontro. Ele afirmou ainda que decidiu matar Valéria por “raiva e vingança” após um desentendimento durante um programa sexual. Conforme relatou à polícia, ele teria pago R$ 200 por uma hora a mais de encontro, mas teria sido mandado embora após cerca de 15 minutos porque a vítima atenderia outro cliente em seguida e se ele não fosse embora naquele momento, ela chamaria a polícia.
Após o episódio, o suspeito com raiva disse que começou a planejar o assassinato.
“Quarta acordei e falei: hoje eu vou pegar ela”, declarou em depoimento.

De acordo com a Polícia Civil, o criminoso monitorou a casa da vítima antes de invadir o imóvel. Ele contou que rendeu Valéria, amarrou mãos e pés da jovem e tentou asfixiá-la usando o cabo de uma chapinha de cabelo antes de atacá-la com uma faca da própria residência.
Ainda segundo a investigação, Valéria implorou para não morrer durante as agressões.
O suspeito confessou ter desferido 31 facadas contra a universitária, sendo 26 na região do pescoço. Mesmo após os ataques, ele permaneceu cerca de quatro horas dentro da residência aguardando o movimento da rua diminuir para fugir sem ser visto.
Antes de sair do imóvel, ele roubou o celular e o tablet da vítima. Os aparelhos foram encontrados posteriormente escondidos em uma área de mata após indicação do próprio acusado. A faca usada no crime também foi localizada pela polícia em uma caçamba de entulho.
Na decisão, o juiz destacou a extrema violência empregada no assassinato e afirmou que o caso demonstra “frieza”, “brutalidade concreta” e desprezo pela vida humana.
O magistrado também ressaltou que José Carlos já possui antecedentes criminais por roubo, ameaça e violência doméstica, mesmo tendo apenas 20 anos.
“A motivação narrada revela desproporção extrema entre a causa alegada e a violência empregada”, destacou o juiz na decisão.
A Polícia Civil segue aguardando laudos periciais que devem esclarecer detalhes da dinâmica do crime, inclusive se houve abuso sexual antes ou após a morte da jovem.
Valéria Araújo Corrêa era natural de Minas Gerais e havia se mudado recentemente para Mato Grosso para realizar o sonho de cursar Direito em uma faculdade particular de Tangará da Serra.


