
Um estudo com jovens brasileiros de 21 a 34 anos revelou que as redes sociais têm transformado a forma como essa geração se relaciona com a política, favorecendo o isolamento, a personalização do debate e a polarização.
A pesquisa qualitativa ouviu 24 jovens de diferentes regiões do país e identificou que muitos desconhecem a vivência política sem a influência das plataformas digitais, tornando-se mais suscetíveis aos efeitos dos algoritmos.
Segundo a pesquisadora Catharina Vale, da Universidade Católica Portuguesa, os participantes adotam uma prática chamada de “curadoria do eu”, na qual selecionam deliberadamente os conteúdos políticos que consomem como forma de evitar conflitos e desgaste emocional.
Na avaliação da pesquisadora, esse comportamento reduz o espaço para o debate de ideias, fortalece as chamadas “bolhas” e contribui para a polarização política, ao aproximar usuários com opiniões semelhantes.
O estudo também aponta que as mudanças ganharam força a partir das manifestações de 2013, período que coincidiu com a expansão das redes sociais no Brasil, e devem continuar influenciando a forma de fazer política nas próximas décadas.


