
A carne bovina, principal produto exportado por Mato Grosso para os Estados Unidos, ficou de fora da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano, que começa a valer nesta terça-feira (22). O produto integra a lista de 2.126 itens brasileiros considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos e, por isso, permanecerá isento da nova cobrança.
Somente no primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina mato-grossense para o mercado norte-americano movimentaram mais de US$ 189 milhões, consolidando o produto como o principal da pauta comercial entre o Estado e os EUA.
Além da carne bovina, Mato Grosso também exporta para os Estados Unidos produtos como sebo bovino, madeiras tropicais perfiladas, ouro em barras, gelatinas e derivados, além de castanha-do-pará sem casca.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que Mato Grosso exportou quase US$ 210 milhões aos Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano, resultado 25,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando as vendas somaram US$ 166 milhões.
Apesar do crescimento no acumulado do ano, o comércio entre Mato Grosso e os Estados Unidos enfrentou queda de 22,8% entre o primeiro e o segundo semestre de 2025, reflexo do endurecimento da política tarifária norte-americana. Em 2026, no entanto, as exportações voltaram a apresentar recuperação.
Além da carne bovina, também permanecerão livres da sobretaxa produtos como café, laranja, suco de laranja, peixes, couros, produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos.
Em contrapartida, o governo brasileiro informou que pretende ampliar a busca por novos mercados internacionais e adotar medidas para reduzir os impactos da nova política comercial sobre os setores que foram atingidos pela tarifa.
Entre os segmentos afetados está o etanol. A União Nacional do Etanol de Milho criticou a inclusão do biocombustível na lista de produtos tarifados, defendendo a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos e alertando que a medida aumenta a insegurança comercial e prejudica a cooperação entre os dois países no setor.


