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OPERAÇÃO ADSUMUS

Polícia Civil mira esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa por meio de bingos em Rondonópolis

Investigação da Derf identificou célula responsável por ocultar dinheiro do tráfico, extorsões e outros crimes; duas pessoas foram presas e um estabelecimento foi interditado

FONTE
Via: Jandir Martins | TV Cidade Record
Imagem: akldc Polícia Civil mira esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa por meio de bingos em Rondonópolis
Polícia Civil deflagra operação contra facção criminosa que utilizava bingos para lavagem de dinheiro em Rondonópolis – Foto: PJC

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Adsumus para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro supostamente utilizado por uma facção criminosa em Rondonópolis (MT). Ao todo, foram cumpridas 17 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, prisões preventivas, bloqueio de contas bancárias, quebra de sigilo bancário e suspensão das atividades de um estabelecimento comercial utilizado para a realização de bingos e rifas.

As ordens judiciais foram cumpridas em Rondonópolis, Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra, com apoio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da 1ª Delegacia de Polícia de Tangará da Serra.

Segundo a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, os investigados são suspeitos de integrar organização criminosa e responderão por crimes como lavagem de capitais, tráfico de drogas, associação para o tráfico, fraude processual, falsidade ideológica, extorsão, posse irregular de arma de fogo e facilitação da entrada de aparelhos celulares em unidades prisionais.

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Operação da Polícia Civil mira esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa por meio de bingos em Rondonópolis – Foto: PJC

Durante a operação, foram cumpridas duas prisões preventivas e uma prisão em flagrante por embaraço à investigação de organização criminosa. Também foram apreendidos dois veículos e uma motocicleta que, conforme a investigação, seria utilizada em rifas promovidas pelo grupo criminoso.

Investigação começou após ataque a padaria

De acordo com a delegada titular da Derf, Anna Paula Marien, a investigação teve início após o roubo seguido de incêndio criminoso em uma padaria localizada na Avenida Brasil, em Rondonópolis, ocorrido em 18 de fevereiro de 2025.

Na ocasião, dois criminosos armados invadiram o estabelecimento, praticaram o roubo e atearam fogo no imóvel. Os suspeitos foram identificados e tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Posteriormente, eles foram localizados pela Polícia Rodoviária Federal enquanto viajavam de ônibus de Cuiabá para o Rio de Janeiro utilizando documentos falsos. Os celulares apreendidos com a dupla foram encaminhados à Derf para perícia.

Segundo a delegada, a análise do conteúdo dos aparelhos revelou uma série de informações que levaram os investigadores a descobrir uma estrutura organizada de lavagem de dinheiro mantida pela facção criminosa.

“Em um desses celulares conseguimos extrair diversas informações que demonstraram a existência de um esquema de lavagem e ocultação de capitais realizado pela organização criminosa. Um dos aparelhos era utilizado por um dos líderes da facção, que coordenava toda essa movimentação financeira, incluindo a utilização de um bingo em Rondonópolis”, explicou Anna Paula.

Célula era responsável por lavar dinheiro da facção

As investigações apontaram que a organização criminosa possuía uma divisão de funções, com grupos específicos para diferentes atividades ilícitas.

Segundo a delegada, além das células voltadas ao tráfico de drogas e à extorsão de comerciantes, havia um núcleo exclusivo destinado à lavagem dos valores obtidos por meio dessas práticas criminosas.

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Delegada titular da Derf, Anna Paula Marien – Foto: Varlei Cordova/AGORAMT

“Existe uma célula específica para ocultar os valores arrecadados com outros crimes. Esse dinheiro fortalece financeiramente a organização criminosa, por isso operações como essa são importantes para enfraquecer o poder econômico da facção”, afirmou.

Ainda conforme a Polícia Civil, o estabelecimento alvo da operação funcionava como sede permanente para realização de bingos ilegais, utilizados para dar aparência lícita ao dinheiro obtido de forma criminosa.

As investigações também identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos responsáveis pelo local.

Por determinação judicial, o estabelecimento teve as atividades suspensas e foi lacrado. No imóvel foram apreendidas máquinas de bingo, máquina de urso e outros equipamentos utilizados na exploração de jogos de azar.

Modus operandi já havia sido identificado

O delegado Fábio Nahas destacou que a forma de atuação da organização já havia sido identificada durante a Operação Infiltrados, deflagrada pela Derf em outubro de 2024.

Segundo ele, o grupo utilizava a venda de cartelas de bingo e rifas para misturar recursos aparentemente legais com dinheiro oriundo do tráfico de drogas e de outros crimes.

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Delegado Fábio Nahas – Foto: Varlei Cordova/AGORAMT

“Essa operação foi direcionada especificamente ao combate à lavagem de capitais. O dinheiro arrecadado com bingos e rifas era utilizado para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas”, afirmou.

Investigações continuam

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e concluir o inquérito policial.

Os elementos reunidos durante a Operação Adsumus servirão para o indiciamento dos investigados e para aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira utilizada pela organização criminosa em Mato Grosso.

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