
As agências bancárias de Rondonópolis (MT) amanheceram de portas fechadas nesta quinta-feira (20), em adesão à paralisação nacional de 24 horas dos bancários. Segundo o Sindicato dos Bancários de Rondonópolis e Região, o movimento atinge 100% da categoria no município, com participação de trabalhadores das principais instituições financeiras.
A mobilização ocorre após uma série de rodadas de negociação entre representantes dos bancários e dos bancos. A categoria cobra, entre outros pontos, reajuste salarial com ganho real, valorização dos pisos, manutenção de benefícios, melhoria na participação nos lucros e resultados (PLR) e medidas relacionadas à saúde dos trabalhadores.

Em Rondonópolis, o movimento envolve instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander e Mercantil, além de outras unidades bancárias. De acordo com o sindicato, a paralisação também alcança municípios da região Sul de Mato Grosso.
O presidente do sindicato, Sebastião Tavares, afirma que a paralisação foi definida após a categoria chegar à oitava rodada de negociação sem uma proposta aceitável para as cláusulas econômicas.
Segundo ele, entre os pontos que provocaram maior insatisfação está a proposta de reajuste diferenciado de acordo com faixas salariais.
“Chegamos à oitava rodada de negociação e os banqueiros enrolando, sem apresentar uma proposta concreta, principalmente do índice de reajuste, da PLR, enfim, das cláusulas econômicas”, afirmou.
A paralisação desta quinta-feira foi definida nacionalmente como uma forma de pressionar os bancos antes da retomada das negociações, prevista para a próxima segunda-feira (24).
Além das questões salariais, o sindicato afirma que os trabalhadores enfrentam dificuldades relacionadas à saúde e às condições de trabalho.
Sebastião afirma que a perda do poder de compra ao longo dos anos é acompanhada por um aumento nos casos de afastamento por problemas de saúde, especialmente relacionados à saúde mental.

“É uma das categorias que tem mais gente afastada por problemas de saúde, principalmente psíquico. Gente trabalhando com remédio tarja preta na gaveta, porque a pressão é grande”, relatou.
O presidente do sindicato também afirma que a categoria considera a saúde dos bancários uma das pautas prioritárias nas negociações.
Fechamento de agências também preocupa trabalhadores
Outro ponto citado pelo sindicato é a redução da estrutura bancária em municípios da região.
Segundo Sebastião, somente em 2026 houve fechamento de agências e postos de atendimento em cidades como Guiratinga, Alto Taquari, Pedra Preta e Tesouro, além de unidades em Rondonópolis.
Para o sindicalista, a redução do número de trabalhadores aumenta a pressão sobre os funcionários que permanecem nas instituições, enquanto os bancos continuam registrando resultados financeiros positivos anualmente.
Paralisação pode se transformar em greve por tempo indeterminado
A mobilização desta quinta-feira tem duração prevista de 24 horas, mas o sindicato afirma que a categoria poderá ampliar o movimento caso não haja avanço nas negociações.
A expectativa é que os bancos apresentem uma proposta econômica na reunião marcada para segunda-feira. Caso isso não ocorra, Tavares afirma que os trabalhadores poderão discutir a convocação de uma nova greve por tempo indeterminado.
A categoria aguarda, agora, o resultado da próxima rodada de negociação para definir os próximos passos do movimento.
Com a paralisação, as agências físicas permanecem fechadas durante o movimento. Serviços bancários digitais, caixas eletrônicos e outros canais de atendimento remoto podem continuar disponíveis, conforme os serviços oferecidos por cada instituição.
A orientação para quem precisa realizar operações bancárias é verificar os canais digitais ou eletrônicos disponíveis no banco antes de se dirigir a uma agência.


