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Dia Nacional de Combate à Poluição: fumaça das queimadas é risco invisível que afeta o coração aos pulmões

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Imagem: QUEIMADAS 1 Dia Nacional de Combate à Poluição: fumaça das queimadas é risco invisível que afeta o coração aos pulmões
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Nesta sexta-feira, 14 de agosto, é o Dia Nacional de Combate à Poluição. A data chega em um momento em que o cheiro forte de queimado e o céu cinzento voltam a fazer parte da rotina de milhares de famílias no país. Nos dias mais críticos da estiagem, respirar fundo deixa de ser um alívio e vira desconforto. A tosse seca surge, os olhos ardem e a preocupação com a saúde passa a ditar o ritmo dentro de casa.

Embora a fumaça mais densa cause incômodo visual, o verdadeiro perigo se esconde naquilo que os olhos não conseguem ver. A fuligem das queimadas carrega uma poeira tão fina que ultrapassa as defesas naturais do nariz e da garganta, penetrando fundo nos pulmões e alcançando até a circulação sanguínea.

“A fumaça das queimadas não é apenas um problema ambiental ou um desconforto passageiro, é uma questão grave de saúde pública. O principal risco está nessa poeira invisível que penetra profundamente no nosso organismo e cujos efeitos não ficam restritos ao sistema respiratório”, explica Maísa Consuelo dos Santos, docente de Medicina do IDOMED e pesquisadora com mestrado em alterações climáticas.

Uma das pesquisas que respaldam esse alerta é o estudo “Análise da qualidade do ar em 15 municípios de Mato Grosso: impactos potenciais na saúde humana”, conduzido em parceria com a Fiocruz. O levantamento associou os picos de poluição causados pela fumaça ao aumento de mortes por problemas cardíacos, respiratórios e até tumores. “Precisamos abandonar a ideia de que a fumaça só faz mal para o pulmão”, ressalta a médica.

Clima mais quente e fumaça fora de época

Esse cenário de emergência sanitária é alimentado por transformações no clima que vêm tornando as regiões mais quentes e secas. A combinação de calor intenso, queda na umidade do ar e vegetação ressecada cria o ambiente perfeito para que os incêndios se espalhem com facilidade. No Pantanal, a seca severa já provoca queimadas até mesmo em meses que costumavam ser chuvosos, como no início do ano.

“O que observamos é uma interação entre aquecimento, redução da umidade e maior quantidade de mato seco, criando condições muito favoráveis para o surgimento de grandes incêndios”, aponta Maísa.

Quem mais sofre e como se proteger

A poluição prejudica a todos, mas crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite ou problemas no coração exigem cuidado redobrado. Nas crianças, cujo sistema respiratório ainda está em desenvolvimento, a exposição frequente à poluição pode prejudicar a capacidade pulmonar a longo prazo.

Procure atendimento médico imediato caso note algum destes sinais de alerta:

  • Dificuldade importante para respirar ou falta de ar;

  • Chiado persistente ou aperto no peito;

  • Tosse intensa que não passa;

  • Respiração muito rápida ou prostração incomum em crianças.

Para reduzir os riscos, a recomendação é evitar exercícios físicos ao ar livre em dias encobertos por fumaça. “Ao se exercitar, respiramos mais rápido e fundo, puxando mais sujeira para dentro dos pulmões”, avisa a professora. Dentro de casa, manter portas e janelas fechadas ajuda, enquanto o uso de ar-condicionado limpo e a presença de árvores e plantas ao redor auxiliam a filtrar a sujeira do ar.

“Neste Dia de Combate à Poluição, a mensagem principal é que cuidar da qualidade do ar é cuidar da nossa própria saúde. Acompanhar a qualidade do ar, proteger os mais frágeis e combater a origem das queimadas são atitudes fundamentais para hoje e para as próximas gerações”, conclui a especialista.

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