
Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada sem a cabeça na noite da última sexta-feira (25), na região da Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá (MT). O estado da imagem foi registrado por uma pessoa que esteve no local e divulgou as imagens, que posteriormente repercutiram nas redes sociais.
A Cruz do Chilão fica entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra e é considerada um dos marcos da religiosidade popular e da memória histórica de Cuiabá.
Até o momento, não há confirmação sobre quem danificou a imagem ou sobre as circunstâncias em que o ato ocorreu. A Polícia Civil informou que não localizou registro de ocorrência relacionado ao caso até a última atualização.
Nota da Arquidiocese
Após a repercussão, a Arquidiocese de Cuiabá divulgou uma nota de repúdio e defendeu que o episódio seja apurado pelas autoridades. A instituição classificou o caso como uma situação que pode envolver intolerância religiosa e vandalismo.
A Arquidiocese destacou que a liberdade de consciência e de crença, assim como o livre exercício dos cultos religiosos, são direitos garantidos pela Constituição Federal. Também ressaltou que atos de intolerância, discriminação e violência motivados por religião podem configurar crimes.
A instituição afirmou ainda que a Cruz do Chilão representa parte da memória religiosa e cultural da capital e pediu respeito aos diferentes símbolos de fé.
Caso ocorre em meio a polêmica
O episódio de Cuiabá ocorre poucos dias antes do feriado de Nossa Senhora Aparecida e em meio a uma controvérsia política nacional envolvendo a imagem da santa. Nas últimas semanas, circulou nas redes sociais a informação de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Flávio no entanto negou a existência de qualquer proposta nesse sentido. A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral, que determinou inicialmente a retirada de publicações relacionadas ao tema. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a restauração de uma das publicações retiradas, citando a necessidade de proteção à liberdade de expressão e ao debate público.
O Portal AGORAMT esclarece que até o momento, não há informação oficial que estabeleça qualquer relação entre essa disputa política e o dano causado à imagem na Cruz do Chilão.
Curiosidade histórica
A Cruz do Chilão está relacionada à história da religiosidade popular cuiabana desde o século XIX. O local é associado ao período de epidemias que atingiram a capital e às manifestações de fé de moradores, especialmente das populações negras e mais pobres.
A região também possui relação histórica com Mãe Bonifácia, mulher negra conhecida na tradição cuiabana por seus conhecimentos sobre ervas, rezas e práticas de cura.
Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem foi danificada, é reconhecida oficialmente como Padroeira do Brasil. A Lei Federal nº 6.802, de 30 de junho de 1980, estabeleceu o dia 12 de outubro como feriado nacional dedicado ao culto público e oficial à santa.


