
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quarta-feira (30) a Operação Iurará, para combater a caça ilegal de tartarugas e outras espécies de quelônios no Parque Estadual do Araguaia e em áreas de conservação localizadas na região leste de Mato Grosso.
Ao todo, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais são cumpridas em cinco propriedades rurais de Ribeirão Cascalheira, dois endereços residenciais em Goiânia (GO) e um endereço comercial em Aparecida de Goiânia (GO).
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e apuram crimes contra a fauna silvestre, incluindo caça, abate, venda e comércio clandestino de animais, dano ambiental e associação criminosa.
Segundo a Polícia Civil, as investigações indicam a existência de ataques sistemáticos contra o Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Quelônios do Araguaia, unidade de conservação localizada às margens do Rio das Mortes, entre os municípios de Ribeirão Cascalheira, Cocalinho e Nova Nazaré.

Conforme a apuração policial, o suposto líder do grupo seria um fazendeiro e empresário do ramo de cosméticos, proprietário de uma área rural na margem esquerda do Rio das Mortes, em Ribeirão Cascalheira, localizada em frente à unidade de conservação.
Ainda segundo a Polícia Civil, outros investigados seriam pessoas ligadas ao empresário, entre elas a esposa e funcionários. Os indícios levantados apontam que os animais capturados seriam destinados à comercialização clandestina.
Com base nas informações reunidas durante a investigação, a Dema representou pela expedição dos mandados de busca e apreensão. As medidas foram autorizadas pelo juízo da Vara Única da Comarca de Ribeirão Cascalheira.
Período de desova aumenta risco para tartarugas
A operação ocorre justamente durante o período considerado mais crítico para a proteção da tartaruga-da-Amazônia. Entre setembro e outubro, durante a estiagem, os níveis dos rios baixam e surgem praias onde os animais se concentram para a reprodução e desova.
É nesse período que as tartarugas, também conhecidas na região como iurará, ficam mais expostas e acabam se tornando alvo de caçadores ilegais.
Além da tartaruga-da-Amazônia, a investigação também envolve a caça de outras espécies de quelônios, incluindo cágados.
Outro detalhe é que a região investigada integra um importante conjunto de unidades de conservação do Vale do Araguaia. O Parque Estadual do Araguaia, uma das maiores áreas estaduais de conservação, possui mais de 223 mil hectares e é classificado como unidade de proteção integral.
O parque está localizado em uma área de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica e reúne diferentes ambientes, como campos alagáveis, campos de murundus, cerrado, cerradão, matas inundáveis e matas secas.
Durante o período chuvoso, os rios da região transbordam e cobrem grandes áreas, formando parte da chamada Planície do Bananal, também conhecida como Pantanal do Araguaia.
O local abriga diversas espécies da fauna brasileira, entre elas lobo-guará, veado-campeiro, boto-cor-de-rosa e diferentes espécies de tartarugas. O parque também funciona como corredor ecológico, conectando áreas de conservação e terras indígenas ao longo do Araguaia.
Operação integrada
A Operação Iurará é coordenada pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente e conta com apoio da Delegacia de Polícia de Água Boa, da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Civil de Goiás.
As buscas têm como objetivo localizar materiais e elementos que possam comprovar a prática dos crimes investigados e auxiliar na identificação da participação de cada envolvido.


