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ELEIÇÕES DE MEIO DE MANDATO

Keisha Lance Bottoms faz história e se torna a primeira mulher negra eleita governadora nos EUA

Keisha Lance Bottoms venceu na Geórgia e rompeu uma barreira histórica nos Estados Unidos, enquanto o Brasil nunca elegeu uma mulher negra para governar um estado

Fonte: CNN
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Imagem: Keisha Lance Bottoms Keisha Lance Bottoms faz história e se torna a primeira mulher negra eleita governadora nos EUA
Getty Images

A democrata Keisha Lance Bottoms, de 56 anos, fez história nos Estados Unidos em 3 de novembro de 2026. Ex-prefeita de Atlanta, ela venceu o empresário republicano Rick Jackson e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado americano. Foi também a primeira mulher a governar a Geórgia e quebrou 24 anos de domínio republicano no estado, cuja última vitória democrata havia sido em 1998. Bottoms, que comandou Atlanta entre 2018 e 2022 em meio à pandemia e aos protestos antirracistas, e depois foi assessora do presidente Joe Biden, venceu com uma pauta de redução do custo de vida, ampliação da saúde e melhoria da educação. Assume em janeiro de 2027.

O feito envergonha o Brasil. Aqui, nunca elegemos uma mulher negra para governadora. O mais perto que chegamos foi Benedita da Silva, que assumiu o Rio de Janeiro em 2002 não pelo voto direto para o cargo, mas como vice, na saída do titular. É um símbolo poderoso, mas também um lembrete cruel: no Brasil, a mulher negra chega ao poder pela porta dos fundos, pela substituição, nunca pela porta da frente, pela escolha majoritária nas urnas.

E o dado demográfico torna a comparação ainda mais incômoda. Nos Estados Unidos, a população negra é cerca de 13%. No Brasil, somos 56% da população. Como um país de maioria negra nunca conseguiu eleger uma mulher negra para governar um estado, enquanto um país de minoria negra elegeu? Seremos nós mais racistas que eles?

Talvez a resposta esteja no tipo de racismo que praticamos. Lá, o racismo é explícito e, por isso, gera reação organizada. Aqui, o racismo é disfarçado de cordialidade, de meritocracia e de “não é a sua vez”. Ele diz que adora a cultura negra, mas não vota nela. Que a mulher negra pode ser ministra, assessora, vice, mas não governadora. Bottoms venceu na Geórgia, no Sul profundo, onde nasceu o segregacionismo. Se lá foi possível, o que nos impede aqui não é falta de candidatas. É falta de coragem de um país que se diz miscigenado, mas que, na hora do voto, ainda prefere o retrato de sempre.

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