O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decide nesta quarta-feira (5) o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, em meio à expectativa do mercado de um novo corte.
Especialistas ouvidos pelo R7 preveem uma redução de 0,25 ponto percentual, e o mercado projeta novas quedas até 2027. Atualmente, a Selic está fixada em 14,25% ao ano. Caso o corte esperado se confirme, a taxa vai para 14% ao ano.
Segundo economistas, o Copom deve optar pelo quarto corte consecutivo em razão do câmbio controlado e da desaceleração da inflação. Em julho, a prévia do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) ficou em 0,06%, 0,35 ponto percentual abaixo da taxa registrada em junho (0,41%), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Pelo sistema de meta contínua, a meta de inflação definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
Na segunda-feira (3), pela primeira vez desde março, o mercado reduziu a expectativa para a Selic em 2026, que deve fechar o ano em 13,75%.
A especulação abriu uma janela para possíveis novos cortes pelo Banco Central, que decide a taxa em meio ao conflito no Oriente Médio e às novas tarifas dos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
📝A decisão de taxar ao menos 4.000 produtos exportados pelo Brasil com tarifas que, somadas, podem chegar a 37,5%, foi aplicada sob a justificativa de supostas práticas desleais do país em questões como comércio digital, trabalho forçado e desmatamento ilegal.
Já o conflito no Irã tem causado incertezas nos preços dos combustíveis ao redor do mundo. O efeito se dá, principalmente, pela obstrução no Estreito de Ormuz, por onde ocorre o trânsito de cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.
O que é a Selic?
A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA. Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção, além de poderem desacelerar o crescimento econômico.
Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, o que desestimula a demanda e contribui para a contenção da inflação. Apesar disso, os bancos também definem essas taxas cobradas com base em fatores como inadimplência, custos e margem de lucro.
Quando a Selic está reduzida, a expectativa é de que o crédito fique mais barato, o que incentiva o consumo e aquece a economia; quando ocorre o contrário, a tendência é de encarecimento dos empréstimos e de redução dos gastos da população.


