
O candidato ao Senado Federal por Mato Grosso, Pedro Taques (PSB), esteve na manhã desta quarta-feira (12) na Rádio Jovem Pan Sul Matogrossensse, integrante do Grupo Agora de Comunicação, para uma entrevista sobre sua participação na denúncia que antecedeu a Operação Heritage, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
Durante o bate-papo, Taques afirmou que a denúncia apresentada por ele foi resultado da análise de aproximadamente 12 mil documentos relacionados a fundos de investimento, transferências de créditos e informações disponíveis em órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Segundo o candidato, a documentação foi obtida por meios legais e analisada antes do encaminhamento das informações às autoridades. Ele afirmou ainda que a representação foi apresentada ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal com apenas um dia de diferença.
Durante a entrevista, o candidato destacou a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no avanço das investigações e criticou o que classificou como falta de andamento da apuração no âmbito estadual.
Taques afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas relacionadas à investigação, ocorreu após um trabalho prévio de apuração.
Ele também criticou declarações atribuídas ao ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e defendeu que as instituições responsáveis pela investigação tenham autonomia para esclarecer os fatos.
Segundo Taques, a representação apresentada por ele ainda não teria sido devidamente analisada pelo Ministério Público Estadual.
Veja também:
Candidato questiona acordo com a Oi
Um dos principais pontos levantados por Taques durante a entrevista foi o acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi.
De acordo com a narrativa apresentada pelo candidato, o Estado cobrava inicialmente cerca de R$ 308 milhões da empresa, mas o valor teria chegado posteriormente a aproximadamente R$ 595 milhões.
Taques questionou o fato de, segundo ele, o Estado não ter contestado a cobrança feita pela Oi para recuperar esse valor, enquanto outras demandas envolvendo servidores públicos seriam contestadas judicialmente.
O candidato também questionou a velocidade com que as tratativas do acordo teriam avançado e afirmou que recursos relacionados ao acordo teriam passado por fundos de investimento.
Taques citou ainda uma suposta relação entre esses fundos, pessoas ligadas a Fábio Garcia e empresas relacionadas à família de Mauro Mendes. As afirmações fazem parte das suspeitas apresentadas pelo candidato às autoridades e são objeto de investigação.
Acusações contra Mauro Mendes
Durante a entrevista, Pedro Taques fez diversas críticas ao ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que atualmente disputa uma vaga ao Senado.
O candidato também mencionou uma decisão do ministro Flávio Dino e afirmou que o documento aponta a inclusão dos três filhos de Mauro Mendes em um fundo financeiro.
Taques desafiou o ex-governador a apresentar explicações sobre as suspeitas e afirmou que está disposto a continuar cobrando esclarecimentos.

“Político não pode entrar pobre e sair rico”.
Ao falar sobre sua motivação para retornar à política, Pedro afirmou que seu principal objetivo é combater a corrupção.
Ele também criticou políticos que, segundo sua avaliação, entram na vida pública com patrimônio reduzido e deixam os cargos com grande crescimento patrimonial.
Taques afirmou que não considera errado enriquecer por meio da iniciativa privada, mas defendeu que o patrimônio de agentes públicos deve ser compatível com sua trajetória financeira e devidamente explicado.
“Ganhar dinheiro não é crime. Ganhar dinheiro é bom. […] Agora, algumas pessoas entram na política para ficar ricas. Você quer ficar rico? Vá para a iniciativa privada.”
O candidato questionou o crescimento patrimonial atribuído à família de Mendes e pediu explicações sobre possíveis relações entre os recursos investigados e empresas ligadas aos familiares do ex-governador.
“Ele entrou quebrado e sai bilionário. O filho dele tem patrimônio de mais de R$ 80 milhões, com 26 anos de idade. Isso é certo?”, questionou.
Pedro também declarou que não possui inquéritos ou processos criminais e afirmou que não teme as investigações ou retaliações contra ele.
Questionado sobre possíveis ameaças após apresentar as denúncias, Taques afirmou que recebe “recados” e alertas para tomar cuidado, mas afirmou que não pretende recuar.
Taques termina entrevista pedindo votos ao Senado
Ao final da entrevista, Pedro Taques voltou a destacar sua candidatura ao Senado e afirmou que pretende levar para Brasília a atuação que, segundo ele, já exerce no combate à corrupção em Mato Grosso.
“Eu estou combatendo a corrupção em Mato Grosso como cidadão. Imagina o que eu vou fazer se for pela vontade de Deus e do povo de Mato Grosso lá em Brasília?”, declarou.
Taques encerrou reforçando que, nas eleições deste ano, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado e pediu apoio para sua candidatura.
É importante ressaltar que as declarações acima citadas são acusações e questionamentos feitos pelo candidato durante a entrevista e não constituem, por si só, comprovação de crimes ou condenação contra Mauro Mendes e demais citados. A Operação Heritage segue em apuração por meio da Polícia Federal.


