
Um estudo apresentado durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) aponta que sete dos dez agrotóxicos mais utilizados no Brasil são proibidos na União Europeia (UE), embora continuem sendo exportados por empresas europeias para o país. A prática foi classificada pela pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), como “colonialismo químico”.
Segundo a geógrafa, substâncias como mancozebe, 2,4-D, acefato, clorotalonil, atrazina, S-metolacloro e dibrometo de diquate foram banidas na UE por apresentarem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, incluindo potencial cancerígeno, malformações fetais, distúrbios hormonais e impactos sobre a biodiversidade.
A pesquisadora também destacou que o Brasil foi o principal destino de pesticidas proibidos na União Europeia em 2023, recebendo cerca de 3 mil toneladas, volume superior ao destinado, somado, para Ucrânia, Estados Unidos e Rússia.
Durante a apresentação, Larissa afirmou que o uso intensivo desses produtos está associado à redução da biodiversidade, citando estudos que apontam queda de 41% na população mundial de insetos entre 2009 e 2019. Ela também defendeu o fortalecimento da agricultura familiar e a criação de regulamentações internacionais mais rígidas para o uso de agrotóxicos.
Atualmente, a legislação brasileira determina que o registro desses produtos é realizado pelo Ministério da Agricultura, com avaliações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ibama. A Anvisa informou que, desde 2006, concluiu a reavaliação de 20 ingredientes ativos, resultando no banimento de 13 deles e na imposição de restrições para outros produtos considerados de risco.


