
O partido Agir ingressou, na sexta-feira (19), com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) contra a candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira Cróco de Souza, do Podemos, e o prefeito de Rondonópolis (MT), Cláudio Ferreira de Souza.
Na ação, o partido pede a cassação do registro de candidatura de Alessandra e o afastamento cautelar do prefeito por 90 dias, sob a alegação de uso da estrutura administrativa do município em benefício da candidatura.
Segundo o Agir, a ação reúne episódios ocorridos ao longo de 2026 que, na avaliação da legenda, podem caracterizar abuso de poder político e econômico e condutas vedadas pela legislação eleitoral. Entre os fatos citados estão obras públicas, eventos custeados ou apoiados pelo município, distribuição de benefícios à população e utilização de canais oficiais de comunicação.
Um dos pontos destacados é a divulgação de obras de pavimentação no bairro Sagrada Família, financiadas pelo Governo de Mato Grosso. A representação sustenta que Alessandra, embora não ocupasse cargo na administração durante a execução das obras, teria associado sua imagem às intervenções em publicações e vídeos divulgados nas redes sociais, ao lado do prefeito e de outros agentes políticos.
O partido também questiona a realização da 52ª Exposul, entre 3 e 9 de agosto. Conforme a ação, o município destinou R$ 2 milhões ao evento, que teve entrada gratuita e transporte coletivo sem cobrança durante a programação. O Agir sustenta que a participação do prefeito e de Alessandra na divulgação e em ações relacionadas ao evento deve ser analisada sob a perspectiva eleitoral.
Outro episódio citado é a 1ª Copa Integração, realizada com recursos públicos por meio de uma parceria de R$ 1,048 milhão. Segundo a representação, Alessandra, já fora do cargo de secretária municipal de Promoção e Assistência Social, participou da solenidade de abertura, em 29 de agosto, e fez uso da palavra durante o evento.
A ação menciona ainda a distribuição gratuita de picolés durante o desfile de 7 de Setembro e o 10º Caveiras Moto Festival, realizado entre 4 e 6 de setembro. O partido questiona a utilização da estrutura e dos canais de comunicação da Prefeitura para divulgação dessas iniciativas durante o período eleitoral.
Outro fato levado ao TRE-MT envolve o processo nº 0600044-06.2026.6.11.0046, no qual, segundo o Agir, funcionários da Prefeitura teriam utilizado um canal oficial de WhatsApp para entrar em contato com pessoas atendidas pelo CRAS Alfredo de Castro 1 e, em tese, realizar divulgação política em favor de Alessandra. O episódio, conforme a própria representação, ainda está em apuração.
O partido também sustenta que a exposição política de Alessandra teria continuado mesmo após sua exoneração do cargo de secretária municipal, ocorrida em 1º de abril para cumprimento das regras de desincompatibilização eleitoral.
Na ação, o Agir pede que a Justiça Eleitoral analise os episódios de forma conjunta e apure se houve utilização da estrutura pública para favorecer a candidatura. Caso sejam reconhecidas as irregularidades e a responsabilidade eleitoral, a legenda requer a aplicação das sanções previstas em lei, incluindo a cassação do registro ou eventual diploma de Alessandra e outras consequências jurídicas cabíveis.
Em relação ao prefeito Cláudio Ferreira, o partido solicita seu afastamento cautelar pelo prazo de 90 dias, ou por período que venha a ser definido pelo TRE-MT. A justificativa apresentada é a necessidade de preservar a instrução do processo e evitar eventual continuidade das condutas investigadas.
Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral. A apresentação da AIJE não significa, por si só, que as irregularidades apontadas tenham sido reconhecidas judicialmente. Os fatos deverão ser examinados no decorrer do processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa dos envolvidos.


