
Enquanto as obras de duplicação do Anel Viário Conrado Sales Brito avançam em Rondonópolis (MT), uma família vive uma corrida contra o tempo para encontrar um novo lugar para morar. A residência onde vivem e de onde tiram o sustento fica na área destinada à obra e, segundo os moradores, eles foram notificados de que terão até o dia 3 de outubro para deixar o local.
A família afirma que vive na área há cerca de seis anos e que, durante todo esse período, pagou aluguel pelo imóvel. O problema, segundo os moradores, é que o terreno teria sido vendido anteriormente a eles como se pudesse ser negociado, mas posteriormente descobriram que a área pertence ao poder público e não poderia ter sido comercializada. Agora, com o avanço da obra do Anel Viário, o Estado determinou a desocupação.
Adriana Rodrigues, uma das moradoras, contou à equipe do Portal AgoraMT que a situação preocupa porque, além de ser sua residência, o local é também a principal fonte de renda da família. Ela afirma que cria animais, como porcos e galinhas, e utiliza a estrutura para garantir o sustento de todos.
“Eu não ganho nada, benefício nenhum do governo e o meu sustento é daqui. Aí não tem como eu sair e ficar na rua”, relatou.
Segundo Adriana, atualmente vivem no imóvel ela, uma amiga, a mãe dessa amiga, uma idosa de 89 anos que é cadeirante, além de um neto de apenas dois anos que está sob seus cuidados. A moradora também contou que passou por uma cirurgia e realiza acompanhamento médico periódico, enquanto a amiga permanece na casa para ajudá-la e também cuidar da mãe idosa.
A família procurou o setor de Habitação do município em busca de uma alternativa, mas, segundo Adriana, foi informada de que não poderia receber uma casa porque a área pertence ao Estado e existe uma fila de pessoas aguardando atendimento habitacional na cidade.
“Eu nunca dependi de nada do governo, nada assim, de prefeitura, nada. Então agora eu queria ter uma ajuda de qualquer jeito, porque na rua eu não posso ficar”, afirmou.
Além da preocupação com a moradia, existe também o impacto sobre a renda. Adriana explica que o movimento na região diminuiu após as intervenções relacionadas à rodovia e que, sem o espaço onde trabalha, terá dificuldades para conseguir dinheiro suficiente para pagar um novo aluguel.
Terreno ao lado também foi comprado pela família
A situação se tornou ainda mais complicada porque a família afirma ter comprado também um terreno ao lado da residência, com a intenção de ampliar a estrutura e montar outro ponto comercial. Guilherme Rodrigues, filho de Adriana, contou que a intenção era justamente aumentar o espaço para melhorar a renda da família.

“Compramos porque a gente já tem um pedaço construído, né? Aí a gente construiu mais um pouquinho para montar outro comércio ali para poder ficar aqui”, explicou.
Guilherme também relatou que a esposa está grávida de aproximadamente dois meses e que a família não tem outro local para onde ir.
“Eles pediram trinta dias para sair, agora como é que fica? Espero que eles, o prefeito aí, arrumem pelo menos um cantinho para estar colocando eu, minha mãe. A família também é grande, é unida e precisamos de ajudar”, disse.
A família afirma compreender que a área é necessária para o avanço da obra e que o poder público tem o direito de utilizar o espaço destinado à duplicação. O que os moradores questionam é a falta de uma alternativa para quem, segundo eles, também foi prejudicado pela negociação irregular do terreno.
Agora, eles tentam encontrar uma solução antes do fim do prazo. Sem outro imóvel, Adriana teme ficar sem moradia e, ao mesmo tempo, perder o local de onde atualmente tira o sustento de toda a família.
A equipe do Portal AgoraMT acompanha o caso e busca informações junto aos órgãos responsáveis sobre a situação da família e as medidas previstas para a desocupação da área.


