
Eu sou uma pessoa que se preocupa com o uso de telas e redes sociais, que vira e mexe faz texto levantando a bandeira da importância do uso consciente e do controle parental. Mas, como todo mundo da minha geração, tenho perfis em diversas redes sociais e não sou ingênua de achar que não usar ou proibir meu filho de usar vai resolver alguma coisa.
Elas são uma realidade. Fazem parte do novo convívio social e podem, se usadas de maneira saudável, agregar muito às nossas vidas.
E foi pesquisando e buscando esse equilíbrio que encontrei o slow scrolling — uma iniciativa para o uso consciente das telas e redes sociais.
A ideia é simples: não é necessariamente só “usar menos o celular”, mas recuperar a intenção sobre aquilo que estamos fazendo quando pegamos o celular na mão.
Em vez de abrir uma rede e deslizar mecanicamente de um conteúdo para outro, a proposta é criar uma pequena pausa e se perguntar se aquilo faz sentido para você. Também é sobre interagir com conteúdos de qualidade para que o algoritmo entenda seus gostos e alimente sua bolha com coisas inteligentes.
Então, antes de continuar rolando seu feed, pare e se faça perguntas como:
- Eu entrei aqui para quê?
- Estou procurando alguma coisa ou apenas passando conteúdos?
- Isso que estou vendo me acrescenta alguma coisa?
- Estou escolhendo continuar ou simplesmente não estou conseguindo parar?
- O que eu poderia estar fazendo agora se não estivesse aqui?
Deixe clara a importância do mundo real…
Um ponto importante aqui é ensinar a criança a elaborar esse raciocínio também. Claro, dentro das limitações de cada idade.
Por exemplo, mesmo com toda a programação de controle parental no YouTube Kids, algumas vezes peguei meu filho de seis anos assistindo a vídeos de crianças abrindo caixas de brinquedos novos e mostrando como eles funcionavam.
Aquilo me incomodou, pois era claramente uma propaganda e um incentivo ao desejo e ao consumo disfarçada de conteúdo infantil.
Na oportunidade, nós conversamos sobre os vídeos e chegamos à conclusão de que não tinha benefício nenhum assistir a outras crianças brincando quando ele poderia pegar os seus brinquedos e brincar!
Não foi uma proibição, foi uma troca, um convite. Isso também ajuda a deslocar a conversa de “celular é ruim” para algo mais educativo e propositivo nas próprias telas ou no mundo real.


