Termina hoje a 44ª edição do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro, o mais antigo do país. A cerimônia de premiação está prevista para começar às 20h, no Cine Brasília.
Com o objetivo de atrair mais cineastas e recuperar sua importância no calendário do cinema nacional, a mostra foi totalmente reformulada. O prêmio de melhor filme saltou de R$ 80 para R$ 250 mil, e foi criada uma categoria exclusiva para curtas de animação.
Com as mudanças, o festival teve um número recorde de filmes inscritos – 624 inscrições, sendo 110 longas, 415 curtas e 99 filmes de animação. “O festival estava decadente. Começou o processo para ser de novo um dos principais eventos do país”, disse o diretor da mostra, Nilson Rodrigues.
Outra novidade deste ano foi a exibição simultânea dos filmes selecionados para a mostra competitiva em Ceilândia, Taguatinga e Sobradinho. De acordo com a organização, a medida busca aproximar o festival da população das cidades satélites.
Na programação, curtas e longas tratando de temas variados e com linguagens diversas. Com a abolição do ineditismo como pré-requisito, até um filme selecionado para a mostra “Um certo olhar” do Festival de Cannes foi exibido na tela do Cine Brasília. Tata Amaral fez a estreia de seu novo longa, onde revisita a ditadura militar, no festival.
Insatisfeito com as mudanças no festival, o cineasta Adirley Queirós pediu que seu longa sobre especulação imobiliária no DF, “A cidade é uma só?”, fosse retirado da mostra.
“É uma decisão política. Primeiro porque Ceilândia, uma das maiores cidades de Brasília, com quase 700 mil habitantes, não tem uma sala de cinema. Nós já tínhamos conversado com a organização que, se o festival fosse para as satélites, ele não deveria ser uma mera reprodução, deveria dialogar com a realidade das satélites. Nós pedimos que os filmes fossem exibidos nas ruas, nas escolas, que é onde a gente efetivamente exibe filmes durante todo o ano”, afirmou Queirós.
De acordo com Queirós, outro motivo para a retirada do documentário que retrata diferentes personagens diante da especulação imobiliária no DF foi o horário reservado para a exibição dos filmes de Brasília.
“Esse festival foi decretado, porque não houve conversa prévia com cineastas da cidade. Colocaram nossos filmes no pior horário possível. Em Minas Gerais, por exemplo, os filmes da cidade são exibidos em horário que o público possa ter uma fruição desses trabalhos”, afirmou o cineasta, que em 2005 foi premiado no Festival de Brasília com o filme “Rap, o canto da Ceilândia”.

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