Protetor solar é necessário para prevenir doenças de pele Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS
 
O protagonista do verão também é cercado por recomendações de profissionais da saúde. O sol auxilia no fortalecimento dos ossos e na produção de substâncias que produzem bem-estar. Mas a exposição em excesso, principalmente nestes meses de maior radiação, pode trazer prejuízos à saúde. Para evitar as doenças de pele, especialistas propõem o uso contínuo de um dos produtos que dão cheiro à estação mais quente do ano: o protetor solar.

Dermatologistas apontam que o protetor pode evitar manchas, envelhecimento precoce e até câncer de pele. A pergunta é por que um item importante e utilizado há mais de duas décadas na prevenção dos efeitos nocivos do sol ainda não é oferecido a preços populares.

De acordo com a médica integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Tatiana Biasi, em países europeus, o protetor solar chega a custar metade do valor cobrado no Brasil. Ela diz que os impostos elevados tornam o produto quase proibitivo.

—As pessoas veem o protetor solar como um luxo, mas é uma questão de necessidade, para evitar câncer e o envelhecimento da pele — alerta.

A dermatologista Débora Cadore explica que a tendência é de que as pessoas fiquem cada vez mais suscetíveis aos danos causados pelo sol. Por isso, ampliar o acesso ao protetor solar significa economia em tratamentos.

— A radiação ultravioleta está ficando mais forte por vários motivos, entre eles, pela camada de ozônio estar mais rarefeita. Quem se expõe em excesso poderá sofrer pelos malefícios pelo resto da vida — afirma.

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Na Região Sul, as doenças são ainda mais frequentes em decorrência da pele e olhos claros, por influência da colonização europeia. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a cada 100 mil pessoas em Santa Catarina são registrados uma média de 7,5 casos de melanoma — tipo mais agressivo do câncer de pele — enquanto no Rio de Janeiro, por exemplo, são 2,47 de casos a cada 100 mil.

Para tentar minimizar a incidência da doença, a dermatologista Melissa Ravache, também da SBD, é uma das que defendem a mudança dos protetores solares de cosméticos para a categoria de medicamento. A alteração, de acordo com a médica, ajudaria na redução dos preços.

— A diminuição do custo traria adesão maior de pessoas que já usam o protetor e possibilitaria o uso pelas pessoas que deixam de passar porque é caro — destaca.

Em 2008, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) barrou a proposta. A Anvisa entendeu que a mudança restringiria a venda dos protetores a farmácias e drogarias e aumentaria ainda mais o preço pelas exigências em relação à categoria dos remédios. A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) concorda com as justificativas e defende a redução da carga tributária para tornar o produto mais acessível.

No Senado, está em tramitação, desde 2010, um projeto que prevê alíquota zero para as contribuições das taxas de PIS-Pasep e do Cofins, fixadas em 12,5% para os protetores solares. O advogado tributarista Miguel Silva expõe que a redução do preço final poderia chegar a até 40% caso houvesse diminuição de todos os impostos federais e estaduais sobre esse tipo de produto.

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Pele bem cuidada

A proteção em relação ao sol é uma das primeiras lições que devem ser ensinadas às crianças, segundo dermatologistas. Eles explicam que os efeitos da exposição em excesso são cumulativos.

— Uma criança que tomou sol de duas a três vezes até formar bolhas tem o dobro de chance de ter melanoma na vida adulta — alerta a médica oncologista do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) Senen Hauff.

Senen ressalta que o ideal é que as crianças aproveitem o ar livre mais na sombra. Como reforça a dermatologista Tatiana Biasi, até as aulas de educação física e os passeios devem ser à sombra. No sol, os pais devem ter atenção redobrada, colocando roupas e bonés, além de passar o protetor solar para os maiores de seis meses. De acordo com a médica do Cepon, os benefícios do sol podem ser captados em pouco tempo de radiação na pele.

— Dois minutos por dia já são suficientes para a produção de cálcio — considera.

Na praia, cuidado redobrado. É o que Raquel Marquese faz com o pequeno Lucas, que não fica um minuto sem protetor durante todo o tempo que fica na areia e no mar. Outro alerta são os dias nublados, pois as nuvens só diminuem a sensação de calor, mas não reduzem a quantidade de raios ultravioleta.

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Custo varia conforme o fator

O custo dos protetores solares, para os farmacêuticos, tem justificativas também pela formulação. O farmacêutico de manipulação Gerson Appel explica que um protetor é composto por vários tipos de filtros solares. Essas substâncias, segundo ele, dificilmente são fabricadas no Brasil:

— A maioria desses filtros é produzida em fábricas alemãs, o que acaba deixando os preços elevados.

A associação dos diferentes filtros na composição determinará a proteção dos raios ultravioleta. Um produto com fator de proteção de raios ultravioleta 15, por exemplo, aumentará 15 vezes o tempo em que a pele ficaria vermelha quando exposta ao sol. Como não existe combinação que seja capaz de oferecer 100% de bloqueio ao sol nos protetores químicos, depois do fator 30, o grau de proteção diminui. Segundo o farmacêutico, um protetor fator 30 será o suficiente para proteger cerca de 96% dos raios, enquanto um 50 oferecerá 98%.

Já os protetores com filtros solares físicos são indicados para crianças, por não serem absorvidos pela pele, oferecendo uma proteção maior e até evitando reações alérgicas.

— Os adultos não aceitam muito esses produtos porque, geralmente, eles ficam brancos — afirma o farmacêutico.

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