O coronel Qasem Saadedin disse à Agência Efe que o Exército Livre Sírio (ELS) ameaça nesta terça-feira, “atacar o regime sírio em 48 horas de uma forma como nunca fizemos antes”, caso as forças de Damasco não parem com as hostilidades. A advertência dos rebeldes coincide com o fim do prazo dado pela ONU e pela Liga Árabe às autoridades sírias para retirar suas tropas das cidades.

Saadedin assegurou que o ELS “passará à ofensiva” depois que suas operações se limitassem à “proteção dos civis” desde a explosão dos protestos contra o regime de Bashar al Assad há pouco mais de um ano. Além disso, explicou que as forças rebeldes se comprometeram com a iniciativa de Annan de cessar-fogo, mas o regime sírio segue com seus bombardeios contra os civis em algumas cidades do país. O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al Moualem afirmou que seu governo começou a retirar tropas de algumas províncias do país, como estipula o plano de paz do mediador internacional.

No entanto, o “número dois” do ELS, Malek Kurdi, negou em declarações à Efe que o regime esteja retirando suas tropas e assegurou que sua única ação foi mudar de lugar seus tanques em algumas cidades. Apesar de hoje expirar o prazo dado pela ONU para aplicar seu plano de paz, pelo menos 45 pessoas, entre elas quatro mulheres e três menores, morreram no país pela repressão das forças do regime, segundo a rede opositora Comitês de Coordenação Local.

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A iniciativa de Annan estipula o fim da violência por parte de todos os envolvidos, a retirada das forças armadas das cidades e o restabelecimento da autoridade do Estado em todo o território. Além disso, prevê o início de um diálogo nacional entre o governo e os setores da oposição no país. Segundo dados da ONU, desde o início dos protestos na Síria em março de 2011, mais de nove mil pessoas morreram, enquanto mais de 200 mil se deslocaram para outras áreas dentro do país e 30 mil se refugiaram no exterior.

Conselho Nacional Sírio cogita interveção armada

O Conselho Nacional Sírio (CNS) segue apoiando o processo de paz para a Síria do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, mas considera que se este fracassar, não deveria descartar-se nenhuma alternativa para deter o derramamento de sangue, inclusive a intervenção armada. A informação foi passada durante a entrevista coletiva de Bassma Kodmani, responsável de relações exteriores do CNS, principal aliança opositora ao regime do presidente da Síria, Bashar al Assad.

– Seguimos confiando na missão de Annan. Mas, no final do dia, se esta fracassar, nenhuma opção deveria ser descartada nem considerada inválida.

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Kodmani citou expressamente o capítulo sete da Carta das Nações Unidas que estabelece os poderes do Conselho de Segurança para manter a paz, usando, se necessário, todos os meios militares disponíveis.

– Nós gostaríamos de uma resolução do Conselho de Segurança sob o capítulo sete que possa ser imposta para que acabe o derramamento de sangue

Apesar de saber que tanto a como a Rússia estão buscando uma resolução pacífica para o conflito, Kodmani assegurou, mostrando sua confiança que Moscou e Pequim modificariam eventualmente sua posição e não só deixariam de vetar as resoluções condenação à Síria no Conselho de Segurança, mas também apoiariam um texto que permitisse inclusive uma intervenção militar. Moscou e Pequim demonstraram nas últimas horas uma modificação matizada de sua posição, ao exigir publicamente que Damasco cumpra o plano de paz de Annan, mas mantendo seu apoio ao regime e criticando à oposição armada por não ter largado as armas.

Bassma Kodmani defendeu o Exército Livre Sírio (ELS) que “está totalmente disposto a cumprir o plano de paz” e que se continua usando as armas é simplesmente “em defesa própria”. Mas o cessar-fogo ainda é algo longe da realidade, segundo denunciaram os rebeldes e grupos de direitos humanos, a repressão aumentou, apesar do anúncio do ministro de Exteriores sírio, Walid al Moualem, da retirada de tropas em várias províncias.

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– Nossas fontes bem verificadas nos indicam que apenas ontem, na véspera do suposto cessar-fogo, 168 pessoas morreram. O regime está mandando uma mensagem muito clara: está intensificando as ações em vez de completar o processo de paz.

Kodmani acusa o Exército de estar usando armas pesadas contra a população civil de forma deliberada, para que esta se rebele contra o ELS e  denuncia um novo método de terror que consistente em derrubar as casas dos rebeldes. O responsável pela relações exteriores da CNS rejeitou a proposta feita hoje por Moualem de condicionar o fim da violência à chegada da missão de observadores da ONU – contemplada no plano de paz de Annan.

– É uma reivindicação irreal. A missão dos observadores é verificar a cessação da violência, a implementação do cessar-fogo, não provocá-lo. É uma proposta tão irreal como a de pedir que a oposição se comprometa por escrito a cumprir com o plano. O regime deveria primeiro reconhecer ditos grupos.

A respeito da visita que Kofi Annan realizará amanhã ao Irã para buscar o apoio das autoridades locais, que apoiam Damasco abertamente, e segundo a oposição, lhe presta assessoria militar e inclusive vende armas, Kodmani foi clara ao acusá-los de cumplicidade.

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