Certa vez, o escritor irlandês Jonathan Swift disse: “A ordem governa o mundo. O demônio é que é o autor da confusão”.

Foi em 1969 que o Prof. Phillip Zimbardo, da universidade de Stanford nos Estados Unidos da América, realizou a seguinte experiência de psicologia social: “Deixou dois carros abandonados na via pública. Dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e até cor. Um ficou no Bronx, numa zona pobre e conflituosa de Nova York e o outro em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em Psicologia Social estudando as condutas das pessoas. Resultado: o carro abandonado na zona pobre do Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio e tudo mais. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto. Quando o carro abandonado no Bronx já estava desmanchado e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto. O resultado foi o mesmo que o do Bronx: o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por que o vidro partido do carro abandonado num bairro supostamente seguro é capaz de disparar todo um processo delituoso? Não se trata de pobreza, portanto. Evidentemente é algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais. Um vidro quebrado num carro abandonado transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação, ideia que vai quebrar os códigos de convivência, de respeito às leis e à ordem. Cada novo ataque que o carro sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional”.

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Em 1982, baseados na experiência do Prof. Zimbardo, os americanos James Wilson e George Kelling desenvolveram a “teoria das janelas quebradas”, que defende a tese de que a deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança coletiva e convida à prática de crimes.

A Teoria das Janelas Quebradas foi utilizada pela primeira vez no metro de Nova York, na década de 80: “Primeiro combateram as pequenas transgressões: pichações deteriorando o lugar, sujeira nas estações, bêbados, não pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno delito conseguiu-se fazer do metrô de Nova York um lugar seguro”.

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Pois bem, a Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo 2014 – Secopa, foi criada pelo governo de Mato Grosso em 29 de setembro de 2011, substituindo a Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa do Mundo do Pantanal FIFA 2014 – Agecopa. À época da Agecopa, muitos escândalos vieram à tona e quando não dava mais para suportar a “pressão”, cabeças rolaram e o problema foi “abafado”.

Após alguns meses de atuação da Secopa, novas escândalos apareceram e uma das consequências foi a exoneração (voluntária) de Eder Moraes, secretário da Secopa à época. O problema é grave, e embora algumas artimanhas midiáticas estejam sendo utilizadas para “abafar o caso”, a população cuiabana está perdendo as esperanças no término das obras e na realização da copa do pantanal. Aí mora o perigo. Afinal, sem o apoio da população…

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Diante isso, acredito que talvez a situação esteja assim porque as janelas da Secopa foram quebradas ainda quando era Agecopa e ninguém, de fato, as consertou. Fico questionando-me: como serão os próximos meses até a Copa do Pantanal?! Que Deus nos proteja, pois se depender de uns aí, mais janelas serão quebradas…

 

Edilberto Magalhães

Turismólogo, produtor cultural e blogueiro

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