Robert Scheidt (à dir) e Bruno Prada não foram bem na medal race (Foto: Reuters)

Robert Scheidt e Bruno Prada sabiam, no começo do dia, que o ouro era improvável. Os brasileiros da Star entraram na Baía de Weymouth ainda sonhando, mas cometeram um erro estratégico na largada. Uma nuvem os enganou. A dupla, sétima na última regata, deixa os Jogos de Londres 2012 com o bronze. Scheidt iguala Torben Grael como maior medalhista brasileiro e entra para o rol de velejadores com mais pódios na história das Olimpíadas: cinco.

O título, surpreendentemente, ficou com os suecos Max Salminen e Fredrik Loof, que tiraram o ouro das mãos dos favoritos britânicos Iain Percy e Andrew Simpson. Salminen e Loof ganharam a medal race e viram os velejadores locais amargarem um decepcionante oitavo lugar. Percy e Simpson tiveram de se contentar com a prata.

– Está doendo mais nos britânicos do que na gente… Tinha uma nuvem muito grande do lado esquerdo da raia. A gente tinha impressão de que o vento ia entrar por ali, então a gente se posicionou do lardo esquerdo na largada. Foi um erro estratégico que custou a briga pela medalha. – disse Bruno Prada após a medal race.

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Robert Scheidt, que já colecionava duas pratas e dois ouros, mostrou-se satisfeito com o seu primeiro bronze olímpico:

– Não há frustração. Antes das Olimpíadas nosso grupo fez uma reunião e decidiu: se a gente sair daqui com medalha, a gente vai sair daqui feliz. Os ingleses se preocuparam demais com a gente e acabaram liberando os suecos para conseguirem as posições que eles precisavam – avaliou.

O iatista brasileiro, porém, deixou escapar que esperava a prata antes da regata decisiva.

– Foi um dia de emoções um pouco diversas. Estamos muito felizes pela conquista de uma medalha olímpica de bronze, e lógico, ficou um gosto amargo por ter perdido uma posição hoje. Saímos da prata para o bronze, mas a dupla sueca velejou muito bem e está de parabéns. A gente teve algumas oportunidades, mas não soube aproveitar muito bem. É uma regata muito curta, as decisões são rápidas e as mudanças também, visto que o barco britânico perdeu 12 pontos numa regata. É uma surpresa muito grande – disse Scheidt ao SporTV.

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O pódio faz de Scheidt o atleta brasileiro com maior número de medalhas olímpicas – honra dividida com o também iatista Torben Grael. Robert tem ouros em Atlanta 1996 (Laser) e Atenas 2004 (Laser), pratas em Sydney 2000 (Laser) e Pequim 2008 (Star) e o bronze de Londres 2012 (Star). Torben, por sua vez, foi campeão em Atlanta 1996 (Star) e Atenas 2004 (Star), prata em Los Angeles 1984 (Soling) e bronze em Seul 1988 (Star) e Sydney 2000 (Star).

 

– É um número muito grande. Se você pensar: conquistar uma medalha é tão difícil e de 1996 para cá ir a todas as Olimpíadas e sair com medalha. É fantástico. Tenho muito orgulho – completou Scheidt.

Scheidt e Grael também são – ao lado do britânico Ben Ainslie – os velejadores com maior número de pódios na história olímpica. Ainslie, que rivalizou com Scheidt na classe Laser, conquistou sua quinta medalha em Jogos também neste domingo: ouro na classe Finn, que o eleva ainda ao posto de maior campeão olímpico da história da vela ao lado do dinamarquês Paul Elvstrom. Ainslie agora tem quatro títulos: Sydney 2000, na Laser, e Atenas 2004 e Pequim 2008, ambos na Star, e Londres 2012, na Finn. Antes, o britânico foi prata em Atlanta 1996, na Laser.

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Confira a classificação final da classe Star nas Olimpíadas de Londres 2012:

1. Fredrik Loof / Max Salminen (SUE) – 32 pontos perdidos

2. Iain Percy / Andrew Simpson (GBR) – 34 pp

3. Robert Scheidt / Bruno Prada (BRA) – 40 pp

4. Eivind Melleby / Petter Morland Pedersen (NOR) – 63 pp

5. Hamish Pepper / Jim Turner (NZL) – 70 pp

6. Robert Stanjek / Frithjof Kleen (ALE) – 70 pp

7. Mark Mendelblatt / Brian Fatih (EUA) – 71 pp

8. Mateusz Kusznierewicz / Dominik Zycki (POL) – 72 pp

9. Xavier Rohart / Pierre Alexis Ponsot (FRA) – 86 pp

10. Peter O’Leary / David Burrows (IRL) – 95 pp

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