Nos Jogos Olímpicos de Londres, as lutas associadas distribuíram 72 medalhas. É o terceiro esporte que leva mais atletas ao pódio, atrás do atletismo e da natação. Só o Irã levou três ouros na modalidade, mesmo número do Brasil no total. Se  o plano do Comitê Olímpico Brasileiro é ficar entre os 10 primeiros países no quadro de medalhas da Olimpíada de 2016, então nada mais natural do que investir também nesta modalidade. Pois nesta quinta-feira, as lutas associadas – livre e greco-romana – deram um passo importante ao inaugurar o Centro de Treinamento Internacional no Rio de Janeiro.

A estrutura, única na América do Sul, não conta apenas com quatro tapetes cedidos pela Fila – Federação Internacional de Lutas Associadas. O equipamento foi instalado no Cefan – Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes -, da Marinha, que dará assistência médica, alimentação e servirá como concentração dos lutadores brasileiros e internacionais que vierem ao Brasil fazer intercâmbio. O objetivo é fortalezer a modalidade trazendo equipes de outros países que terão o natural interesse em conhecer a sede dos próximos Jogos Olímpicos. Outra frente de desenvolvimento é através de técnicos estrangeiros, como o uzbeque Furkart Isaev, da luta greco-romana, há apenas uma semana do país.

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– Até 2016 as condições de preparação são muito boas. Não são todas as confederações que têm essa ajuda. O brasileiro tem coração de leão. Falta técnica e um pouco de psicologia. Há pouco tempo para os Jogos, mas se ele treinar bem, terá condições de ganhar medalha – disse Isaev, treinador de dois campeões mundiais.

Única representante do Brasil em Londres, Joice Silva acabou derrotada no primeiro combate na luta livre. Treinando no Cefan, ela espera que a vinda de atletas estrangeiras lhe dê a oportunidade de treinar contra melhores sparrings. Presidente da Fila, o suíço Raphael Martinetti sabe que as lutas associadas não competirão com o futebol no Brasil. Mas espera que o apoio possa fazer com que o Hino Nacional Brasiliero seja executado muitas vezes em 2016. Como fez a seleção masculina de vôlei de 1992, que treinou no Cefan, como lembrou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

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Mas, como uma modalidade que dá tantas medalhas olímpicas demorou tanto a receber a devida atenção? Pedro Gama, presidente da Confederação Brasileira de Lutas Associadas, não soube responder:

“É uma questão difícil de responder. É melhor olharmos para o presente e para o futuro, e esquecermos o passado”.

Os primeiros resultados da nova casa poderão ser vistos no próximo mês, quando a equipe brasileira vai competir e treinar na Bulgária e em Cuba.

Representante do Brasil em Londres, Joice Silva (à esq.) espera sparrings melhores (Foto:Leonardo Fillipo)
Representante do Brasil em Londres, Joice Silva (à esq.) espera sparrings melhores (Foto:Leonardo Fillipo)
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