Foto: assessoria
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Tanto na sua apresentação ao Conselho-Geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) quanto na entrevista coletiva que a seguiu, o candidato do Brasil à direção-geral do organismo, embaixador Roberto Azevêdo, fez questão de marcar sua distância da posição brasileira sobre temas de comércio.

Tida como protecionista, a política comercial do Brasil pode ser uma pedra no sapato do candidato representante do país na OMC desde 2008 na disputa à liderança da entidade voltada para a liberalização do comércio.

“Agora sou candidato. Fiz questão de que eles soubessem que estou aqui expressando minhas opiniões, e não as do governo brasileiro. É importante que isso fique bem claro desde o começo”, disse, em entrevista transmitida via internet, de Genebra.

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O brasileiro voltou a criticar a paralisia na área de negociações da OMC e disse que, “a não ser que a OMC volte a apresentar resultados”, continuará “fora do radar”.

Para Azevêdo, o grande desafio do próximo diretor-geral será destravar a rodada Doha (de liberalização do comércio) e que, para isso, é preciso “um novo olhar”.

“Se você fizer as coisas da mesma maneira, a chance de avançar é zero. Tem que fazer diferente. Como? Eu não sei”, reconheceu. “Mas muitas vezes, quando ajudei a destravar impasses, também não sabia.”

Azevêdo disputa o posto com outros oito candidatos dois deles latino-americanos. O mexicano Herminio Blanco já sugeriu que os nomes da região se unam para fortalecer a candidatura do “melhor”.

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O Brasil, porém, parece pouco disposto a unir forças com os latinos. Ontem, Azevêdo desconversou sobre a ideia: “O Brasil deixou claro que apoia um novo diretor-geral de um país em desenvolvimento”, disse, incluindo os africanos entre a preferência.

Na última semana, o Brasil enviou um alto diplomata à cúpula da União Africana, na Etiópia, com cartas a mais de 20 países pedindo apoio a Azevêdo. A ideia é que o brasileiro seja a segunda opção desses países, que devem apoiar, primeiro, Gana ou Quênia.

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