O Centro Infantil Boldrini, hospital de referência para o tratamento de câncer, informou que não tem estoques de um medicamento usado contra a leucemia linfoide aguda e linfomas. E um segundo medicamento contra as mesmas doenças está na iminência de faltar, segundo o centro.

Vitória Pinheiro, hematologista do centro, explica que os dois medicamentos –Lanvis e Purinethol, respectivamente– são insubstituíveis e utilizados em fases distintas do tratamento.

Os laboratórios envolvidos no caso informaram que a situação deve ser normalizada em breve.

Mesmo assim, explica Pinheiro, pode haver dano aos pacientes. “A interrupção é prejudicial ao tratamento, mesmo que por pouco tempo”, afirma.

TROCA DE FABRICANTES

O Purinethol, que está com estoques limitados no Boldrini, é utilizado por cerca de 100 pacientes, avalia a médica. Recentemente, esse medicamento teve o registro transferido do laboratório GSK para a Aspen Pharma.

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A Aspen informou que o novo registro foi publicado em 4 de fevereiro e que, por formalidades a serem cumpridas junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a autorização de comercialização só foi recebida pela Aspen nesta quinta-feira (28).

“A partir de hoje, 1º de março de 2013, a Aspen Pharma está legalmente apta a comercializar o medicamento. O produto se encontra disponível para faturamento”, informou o laboratório.

Segundo a Aspen, o registro do Lanvis ainda não foi transferido para a empresa e, assim, o medicamento ainda está sob a responsabilidade da GSK.

Procurada, a GSK informou que, desde 2010, está em processo a transferência do Lanvis para a Aspen. E que, neste intervalo, tem abastecido hospitais com estoques nacionais e internacionais.

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Em novembro de 2012, diz a GSK, foi feito um pedido à Anvisa para que liberasse um estoque trazido do exterior, autorização que foi dada também nesta quinta-feira (28), de acordo com a GSK.

“Ontem mesmo, continuamos a realizar o processo de doação deste medicamento para os principais hospitais do país. Continuamos no aguardo da transição regulatória oficial”, diz o laboratório.

DESABASTECIMENTO

Em janeiro, matéria publicada pela Folha mostrou que outro medicamento contra a leucemia, a L-asparaginase, tinha estoques limitados no país, por conta da interrupção de produção do único fornecedor para o Brasil.

À época, médicos disseram que o risco de desabastecimento existia para outras drogas e cobraram do governo medidas para evitar uma falta ampla de remédios no país.

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