Mato Grosso é o estado brasileiro que mais concentrou focos de queimadas entre 1º de janeiro e 26 de abril. Cerca de 1,5 mil situações já foram verificadas no Estado, o que significa que Mato Grosso é responsável por 22% de todos os registros verificados no país. Ao todo, o Brasil já contabilizou 6,7 mil focos de queima, sendo que os estados da Bahia (815), Roraima (718), Mato Grosso do Sul (482) e Minas Gerais (371), também figuram nas primeiras posições do ranking nacional. Entre os locais que mais concentraram os focos de queimada em Mato Grosso durante o período analisado, estão os municípios de Nova Ubiratã, Nova Maringá, Nova Mutum, Feliz Natal e Querência. Localizados nas regiões norte e nordeste de Mato Grosso, eles concentram 25% do total de locais atingidos pelo fogo este ano, totalizando 375 registros. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pelo sistema de Monitoramento de Focos.

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Professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Faculdade de Engenharia Floresta, Gilvano Brondani, informa que o índice elevado de focos de queimadas é devido à interação da ação humana com as condições ambientais. “Sempre que há o registro de focos de queimadas é necessário associar as situações do local em que ocorre o fenômeno”, explica o profissional. Ele ainda ressalta que a presença de material combustível também é outro fator que colabora para as queimadas. A presença dos materiais combustíveis, que são pedaços de caules, graminhas e folhas secas, por exemplo, é definida de acordo com o período do ano. Segundo o estudioso, “quanto maior a quantidade destes mate- riais, a probabilidade de ocorrer queimadas também aumenta”. Brondani explica ainda que a vegetação de Mato Grosso, que compreende em grande parte o cerrado, é propensa ao registro de focos de calor.

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Além dos fatores naturais, o professor comenta a ação humana como principal causadora das ocorrências relacionadas ao fogo. De acordo com ele, é necessário que a população se conscientize sobre os riscos e prejuízos ao meio ambiente. “Quanto mais se tem material seco, mais inflamável é este. Devido a isso, é importante que a população tome as devidas precauções quando se trata de queimadas”. Para ele, o trabalho de conscientização junto aos povos é a principal forma de combate ao fogo. “A realização de palestras, exposições, entre outras atividades ainda são importantes formas de conscientização. Grande parte dos incêndios em Mato Grosso e no restante do país tem início com a ação humana”. O professor comenta que o Estado ainda carece de pesquisas e monitoramento específico de queimadas. Para ele a realização de esquema de zoneamento de risco em áreas propícias a incêndio é item necessário para Mato Grosso. “Seria interessante que estudos científicos fossem desenvolvidos para prescrever o risco do fogo nas regiões do Estado”, destacou o profissional que também ressalta a necessidade de investimento em pessoal habilitado para combater as queimadas.

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Estado de emergência – Na última semana, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) declarou estado de emergência em 19 estados, além do Distrito Federal. A definição compreende o período de abril a novembro deste ano e o documento pretende autorizar planos e programas no combate a incêndios e queimadas. Em Mato Grosso, serão instaladas 8 brigadas de incêndio, sendo 5 em assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e 3 em terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Outro lado – A Superintendência de Defesa Civil de Mato Grosso, por meio de nota, comunicou que deve se manifestar sobre o assunto na segunda-feira (29), quando repassará informações da Coordenadoria de Gestão de Fogo.

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