A Organização Mundial do Comércio (OMC) reconheceu oficialmente hoje (14) a eleição do embaixador brasileiro Roberto Carvalho de Azevêdo, de 55 anos, como novo diretor-geral do órgão. Ele assume em 1º de setembro, substituindo o francês Pascal Lamy, para um mandato de quatro anos. O brasileiro disse que vai se empenhar para buscar consensos e Lamy lembrou que a organização deve atuar como uma família.

A formalização ocorre uma semana depois da eleição de Azevêdo, que terminou no dia 7. Em comunicado, o conselho-geral da OMC promete uma “transição sem dificuldades”. Segundo Azevêdo, o desafio é “chegar a um consenso” e o fato de sua eleição ter ocorrido de forma  legítima facilita o trabalho.

Lamy lembrou que a eleição consensual de Azevêdo mostra que a OMC tem condições de buscar acordos e um processo de forma integrada. “É o momento de unidade para a família da OMC, no qual podemos brevemente colocar de lado nossas preocupações do dia a dia e olhar para o quadro maior que essa organização representa e os seus valores fundamentais”.

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O processo de sucessão na OMC começou em outubro de 2012. Inicialmente, nove candidatos disputavam a vaga. A escolhe é feita por meio de intensa negociação que busca o consenso. Azevêdo disputou a última etapa com o mexicano Herminio Blanco, de 62 anos. O processo foi conduzido pela chamada Troika – formada pelo Canadá, o Paquistão e a Suécia.

“[Os valores fundamentais da OMC são] a abertura do comércio para o benefício de todos, a não discriminação, a equidade e a transparência. Tudo isso com o objetivo primordial de promover o desenvolvimento sustentável, aumentando o bem-estar das pessoas, reduzir a pobreza e promover a paz e a estabilidade”, ressaltou Lamy.

“Chegar a um consenso é certamente muito mais complexo do que a simples contagem de votos. Ela exige que todas as delegações participem de forma construtiva e de boa-fé de consultas que devem apurar mais do que apenas o grau de apoio de que gozam os candidatos. Mas a principal vantagem de uma decisão por consenso é que dá legitimidade à escolha”, destacou o brasileiro.

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Azevêdo disse que não era o momento de discursar como diretor-geral eleito, mas que agradecia o apoio que obteve do Brasil. “Devo expressar minha gratidão ao governo do Brasil, que, em todos os níveis e em consonância com as diretrizes que norteiam o processo de seleção, apoiou meus esforços para apresentar meus pontos de vista a todos os membros”, disse.

O novo direto-geral da OMC reiterou a importância da busca pelo consenso e do respeito às normas e regras na OMC. “Independentemente do seu tamanho, das circunstâncias geográficas e do nível de desenvolvimento, todos os membros se beneficiam de um conjunto de regras, previsto no sistema multilateral de comércio, na organização”, ressaltou.

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Azevêdo lembrou que “o diretor-geral da OMC tem o dever de trabalhar com todos os membros para fortalecer o sistema e torná-lo sensível às necessidades e desafios de todos. Vou  fazer o melhor para ajudar incessantemente na construção de consensos e alcançar as metas estabelecidas nos acordos estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio”.

Emocionado, o brasileiro disse que se empenhará para buscar consensos. “Com inabalável e firme determinação, para restaurar a OMC para o papel e o destaque que merece e deve ter, vou trabalhar”, acrescentou.

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