Não era sentado num sofá aconchegante, com um balde de pipoca ao lado e os olhos fixos na TV que Bruno Fratus imaginava se ver nas últimas semanas. Desde aquele quarto lugar amargo nos 50m livre nos Jogos de Londres, colocou na cabeça que voltaria do Mundial de Barcelona com uma medalha na bagagem. Para isso, em dezembro trocou de endereço, seguiu o técnico Arilson Silva e foi treinar na Itália. Queria competir mais vezes em alto nível. Queria evoluir. Até que veio o freio. O ombro direito que incomodava desde 2011 passou a dar sinais mais fortes em março, após um pequeno acidente durante um exercício físico com peso. Longe da condição física ideal, ficou sem vaga na equipe brasileira. Era hora então de solucionar de vez o problema, embora a tomada de decisão não tenha sido fácil. Quase três meses após a cirurgia, ele garante ter tirado de letra o fato de ter acompanhado o Mundial como espectador. Preferiu encarar a situação com bom humor e como um episódio motivador. Passou a contar os minutos para o retorno. Não vê a hora de estar outra vez na água.

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A previsão é que em setembro Bruno já esteja liberado para retomar as atividades normais. Por enquanto, os dias têm sido longos e de muito trabalho fisioterápico. Ele não reclama. Só pensa no dia em que estará medindo forças com os rivais. O que acontecerá em dezembro.

– Estou mais de 80% recuperado. No mês que vem devo voltar a treinar plenamente, podendo fazer musculação e com todos os movimentos. Tenho feito muita fisioterapia ortopédica, osteopatia. Busquei diversas técnicas para voltar até melhor. Devo competir o Open como pré-temporada, para fazer uma avaliação. Mas vou estar 120% no Maria Lenk de 2014! Ano que vem é a volta triunfal. É quando começa de fato o ciclo olímpico para mim – disse o velocista do Pinheiros.

Se Cesar Cielo admitiu ter tido dúvidas, por não saber se renderia tão bem nas competições após as cirurgias nos dois joelhos, Bruno diz ter a certeza de que voltará mais forte. Está cheio de vontade de entrar na briga pelos pódios das principais competições internacionais.

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– No Mundial não teve nenhum resultado para fazer “uau!”. O feito mais notável foi o Cesar ser tricampeão nos 50m livre. Isso não é para qualquer um. É algo bem grande. O tempo em que o pessoal nadou era esperado. Mas foi uma motivação extra para mim. Para seguir trabalhando sem abaixar a cabeça. Não fui para a sala de cirurgia feliz da vida, mas foi uma decisão sóbria, inteligente. No meio do caminho tem alguns pontos em que você desanima um pouco e outros em que se motiva mais. É normal do percurso. Hoje não tenho dúvida de que voltarei mais forte.
Só depois que puder dar as primeiras braçadas sem preocupação é que Bruno decidirá se continuará treinando no exterior ou se mudará o plano de voo. Por enquanto, ele segue em São Paulo, contando com o apoio da noiva, a ex-nadadora Michelle Lenhardt, durante o tratamento. Se não pode nadar, se diverte assumindo o comando da cozinha de casa. É lá, que faz bonito como chef.

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– A Itália é sensacional. Você escolhe onde e quando competir. Brota competição. Mas a prioridade agora é a recuperação. Não posso tomar nenhuma decisão a respeito de qualquer aspecto da minha vida se não estiver 100%. Em setembro, estando legal, aí sim vou sentar e saber o que vou fazer do futuro. Estou com meu médico e fisioterapeuta. Essa é hoje a minha equipe de trabalho. O que eu quero é ficar em um lugar onde consiga treinar tranquilo, com uma equipe voltada para o meu resultado ou com um grupo que tenha objetivos similares. Uma coisa voltada para as Olimpíadas. Só isso e tudo para isso. Uma hora que sabe o que se quer fica fácil decidir. Quando o ombro sarar e eu estiver sem essa preocupação, vou decidir como quero.

 

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