“Sentado em meu escritório, eu tinha a capacidade de analisar qualquer um, desde um contador até um juiz federal, incluindo o presidente, desde que eu tenha o seu email pessoal”, afirmou o ex-técnico da CIA Edward Snowden no dia 10 de junho, quando revelou ao mundo documentos que detalhavam o programa de espionagem online dos Estados Unidos.
Na última quinta-feira, 12 horas antes de Snowden finalmente sair do aeroporto de Moscou depois de um mês, o ex-técnico da CIA revelou novos documentos que parecem corroborar suas primeiras declarações.

Um artigo publicado no jornal britânico The Guardian revelou mais documentos secretos da NSA (Agência Nacional de Segurança americana) em que são detalhados o alcance da ferramenta usada pelos analistas da agência para ter acesso a grandes bases de dados onde estão endereços de email, trocas de mensagens instantâneas e históricos de busca e navegação de milhões de usuários.

O software se chama XKeyscore e tem acesso a “quase tudo o que o usuário típico faz na internet”, de acordo com afirmações em um dos documentos da NSA. As revelações sobre os planos de espionagem online da NSA causaram um debate internacional sobre os métodos de vigilância das agências de inteligência americanas.

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A agência coletou dados de dezenas de milhões de telefonemas de cidadãos americanos e também teve acesso direto a servidores de nove empresas ligadas à internet, incluindo Facebook, Google, Microsoft e Yahoo, graças a um programa chamado Prisma.

Enquanto alguns se queixam da violação de privacidade dos cidadãos, outros, incluindo o presidente Barack Obama, afirmam que a estratégia é uma necessidade para garantir a segurança do país e que não expõe a privacidade dos usuários da web.

Sem autorização
Como o próprio Snowden divulgou em junho, um analista da NSA usando o XKeyscore pode ver, sem precisar de uma autorização judicial, as caixas de entrada e saída de email de qualquer pessoa apenas tendo em mãos seu endereço de correio eletrônico.

Para ver um email, o analista escreve em uma barra de busca do XKeyscore o endereço, uma “justificativa” e o período de tempo que quer analisar. Então, ele seleciona o email e lê em uma plataforma especial.

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Mas, se o analista não tiver o endereço do correio eletrônico, também pode encontrar emails pessoais com uma série de filtros que seleciona no menu do XKeyscore. Desta forma, o analista pode encontrar um email usando o nome do remetente, um endereço de IP e até com palavras-chave.

Mas, além dos emails, o software também permite que os analistas da NSA leiam o conteúdo que os usuários produzem nas redes sociais.

Com uma ferramenta chamada DNI Presenter, a NSA pode ler conversas particulares e chats no Facebook ou qualquer outra rede social com o nome do usuário e o período de tempo em que se emitiu a mensagem.

O XKeyscore também pode ser usado para ver o histórico de busca dos usuários de internet com seu nome, endereço de IP, palavras-chave, entre outros dados.

A ferramenta permite ainda a intervenção em tempo real na navegação de um internauta para descobrir o que ele está fazendo na web.

Segundo o Guardian, “a quantidade de comunicações a que a NSA tem acesso por meio de programas como o XKeyscore é assustadoramente grande”.

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O jornal cita um relatório da agência de 2007 que estimou que a NSA havia armazenado 850 bilhões de chamadas e cerca de 150 bilhões de registros de internet. A cada dia, segundo o documento, foram adicionados de um a dois bilhões de registros.

Reações e críticas
“As atividades da NSA se concentram e se desenvolvem especificamente contra, e apenas contra, os objetivos estrangeiros legítimos da inteligência em resposta aos requisitos que nossos líderes necessitam para proteger nossa nação e seus interesses”, afirmou a NSA em um comunicado ao Guardian.

No entanto, a revelação dos novos documentos gerou mais críticas ao planos de vigilância do governo americano.

Quando foram publicados os primeiros documentos vazados por Snowden, o governo de Obama afirmou que a NSA estava apenas recolhendo as informações de metadata – detalhes como data, hora, destinatário e remetente – das mensagens. Mas não o conteúdo.

“A apresentação do XKeyscore mostra como estas palavras eram vazias”, afirmou Amy Davidson, articulista da revista The New Yorker. E não são poucos que concordam com ela.

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