Junior dos Santos é o “Cigano”, mas esse apelido no meio do MMA poderia ter outro dono: Alan Patrick. Nascido e criado em Jacareí-SP, ele foi para Brasília na adolescência, onde teve o primeiro contato com as artes marciais a partir da capoeira. Cerca de oito anos depois, ingressou no jiu-jítsu para tentar não cair tanto durante as sessões de “sparring”. Viu que a capoeira não estava dando dinheiro e foi levado por alguns amigos da arte suave, como Alexandre Capitão, ao MMA. Morou e competiu em Manaus, onde conheceu Ronaldo Jacaré, que virou seu “padrinho”. Em 2005, Alan fez sua estreia profissional e até hoje, depois de dez lutas, só tem vitórias no currículo. Há quatro meses mora no Rio de Janeiro e treina na XGym.

– Sou o verdadeiro cigano das artes marciais – brinca o peso-leve (até 70kg).

Durante todos esses anos, Alan Patrick teve de conciliar o MMA com algum trabalho por fora. Hoje ele dá aulas de jiu-jítsu na própria XGym e num condomínio. Lá atrás, chegou a trabalhar como engraxate, o que lhe rendeu o apelido de “Nuguette”, nome parecido com o de uma marca de graxa.

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– Só do MMA a gente não consegue viver. Quase ninguém aqui no Brasil consegue. A gente só sobrevive porque tem muitos amigos que conhecem nosso trabalho. A Gabi me ajuda bastante, o Marcelo, e o senhor Beto também. E tenho que trabalhar – confidenciou.

O ponto alto da carreira de Alan Nuguette é o momento atual, afinal, ele foi recentemente contratado pelo UFC, maior organização de MMA do mundo, e tem estreia marcada para o dia 9 de outubro, em Barueri-SP, contra o americano também estreante Garett Whiteley.

– Estou muito feliz. Já estava esperando isso. Acabei de ganhar um cinturão (do Bitetti Combat), todo mundo sabe, e fui o único atleta do peso até 70kg que fez três lutas em 55 dias. E ganhei as três. O UFC é a Copa do Mundo, e como todos nós, lutadores, queremos lutar lá.

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Agora no Ultimate, Nuguette espera finalmente ganhar dinheiro para poder viver só do MMA. O interesse em se dedicar ao esporte veio por causa do pagamento, mas também pela fama, conforme relata em tom bem-humorado:

– Na primeira luta já ganhei um dinheiro. Aí pensei: “Pô, que legal! Você ganha um dinheiro, e neguinho ainda fico seu amigo. Fica bonito na foto (risos). Querem tirar foto contigo. Acho que é isso que eu quero”. Aí comecei a me dedicar.

O ingresso no UFC poderia ter vindo até um pouco antes. Alan conta que por pouco não lutou nas eliminatórias para entrar no TUF Brasil 2.

Segundo ele, ficou fora por um motivo bobo:

– Fiquei entre os 30 últimos para lutar. Só não entrei porque fiquei sem atender meu telefone. Como eu era de Manaus, não tinha crédito, né? Sem grana. Só fui saber depois, aí tentei, mas não dava mais.

Campeão do Bitetti Combat, Nuguette tinha luta marcada nas semifinais do GP do Jungle Fight, onde tentaria conquistar outro cinturão. Ele enfrentaria Tiago Trator, a quem deseja sorte:

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– Eu iria lutar, mas agora estou no UFC. Tiago Trator, vai com tudo! Ganha esse cinturão aí.

Para estrear bem no UFC, Nuguette recebe todo o apoio de sua equipe, a XGym, que agora tem seis lutadores na organização (além dele, Ronaldo Jacaré, Erick Silva, Paulo Thiago, Rodrigo Damm, Marcelo Guimarães). O treinador Josuel Distak comemorou o momento:

– A melhor fase da XGym está sendo essa. Estamos com seis lutadores dentro do UFC, e isso é um trabalho de oito anos. Construímos a nossa base, e ela está lutando para vencer. A XGym luta para vencer. Em 2013 não tivemos derrota ainda no UFC. Se o Nuguette foi chamado, é porque está pronto. Todo lutador nosso está pronto. Se baterem à meia-noite aqui na porta da XGym para lutar, nós estaremos prontos para brigar a qualquer hora.

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