Do “alto” de seus 1,63m, Jackie Stewart se apoiava nos impressionantes resultados conquistados nas pistas para impor respeito nos bastidores da Fórmula 1. Tricampeão mundial entre 1969 e 1973, o baixote logo se tornou um dos principais ícones da chamada “era romântica”, como ficou conhecido o período em que a personalidade forte dos pilotos dividia espaço nas manchetes com inúmeros acidentes fatais. Superado em número de títulos por Sebastian Vettel, o “Escocês Voador” prefere não se apegar ao saudosismo, e garante que a categoria está melhor do que antes.

– As pessoas acham que na nossa época era melhor, mas eu acho que foram os piores dias. A Fórmula 1 atual é fantástica. Os carros, a tecnologia, a segurança, a infraestrutura. Todas essas coisas mudaram e tornaram o esporte melhor. Antes, não existiam extintores de incêndio na pista, não havia médico garantido no plantão. Aliás, não havia nem centro médico. Quando tive um acidente em Spa-Francorchamps, fiquei preso no carro por trinta minutos. Graham Hill e Bob Bondurant tiveram de pegar emprestado as chaves do carro de um espectador para me auxiliarem – relembrou o ex-piloto de 74 anos.

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Diante do cenário “sanguinolento” no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, Stewart foi um dos principais articuladores das mudanças nos padrões de segurança da categoria. Após o acidente em Spa, em 1966, o escocês passou a exigir um macacão anti-chamas para correr, além de lutar pela obrigatoriedade do cinto de segurança e do capacete que cobre toda a cabeça do piloto. Parte dessa história está retratada no documentário “Fim de Semana de Um Campeão”, dirigido por Roman Polanski em 1972. O filme, que mostra cenas de bastidores do GP de Mônaco de 1971, será lançado em DVD esta semana.

– Acho que o documentário é especial principalmente para os fãs atuais do esporte – particularmente da Fórmula 1 – verem como tudo começou. O filme permite uma volta ao tempo, enquanto nós éramos jovens, e podemos falar sobre essas diferenças 40 anos depois – disse o piloto.
Por causa da obsessão pela segurança nos GPs de F-1, Jackie Stewart se indispôs com muitos pilotos que, na opinião do escocês, eram “causadores” de acidentes. Um dos casos mais famosos foi a relação conflituosa com Ayrton Senna. O britânico acusava o piloto da McLaren de fazer manobras perigosas de forma proposital, e chegou a discutir publicamente com Senna em uma célebre entrevista na qual despertou a ira do brasileiro. Stewart afirmou que ele era recordista em colisões, e Ayrton respondeu que os competidores precisavam se sujeitar a riscos se quisessem vencer.

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