Neymar não deixou sua marca na vitória por 5 a 0 do Brasil sobre Honduras no último domingo, mas infernizou a limitada defesa adversária: driblou, provocou, ofereceu o corpo para o contato dos hondurenhos. A resposta veio na forma de faltas e entradas duras, algo que virou quase uma rotina para os marcadores do atacante. Das 17 faltas sofridas pela seleção, quase metade – oito – foram cometidas sobre o camisa 10, algumas com violência.

Agora no futebol europeu, vestindo a camisa do Barcelona, Neymar, na mesma medida em que encanta com seu futebol, tem recebido críticas pelo seu comportamento considerado provocador e pela crescente fama de cavador de faltas. O rótulo de “cai-cai” já foi colocado no craque pelos treinadores Juan Ignacio Martínez, do Valladolid, Neil Lennon, do Celtic, e, recentemente, José Mourinho, ex-comandante do rival Real Madrid.

Apesar de espalhar-se agora pelo Velho Continente, a polêmica é antiga, e acompanha o jogador desde os primeiros dribles no elenco profissional do Santos. Em 2010, com apenas 18 anos, Neymar enlouqueceu corintianos ao aplicar um chapéu no zagueiro Chicão quando o jogo estava parado, em um clássico válido pelo Paulistão. Revoltado, o defensor chegou a chamar seu algoz de “pipoqueiro e mimado”.

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A confusão foi a primeira de muitas que acompanhariam a trajetória do craque na Vila Belmiro. A razão, quase sempre a mesma: Neymar sofre faltas; é acusado pelos marcadores de ser “cai-cai”, e de provocá-los intencionalmente no decorrer das partidas. Foi o que aconteceu na derrota por 2 a 1 para o Ceará, pelo Brasileirão, ainda em 2010. Depois de troca de entradas e provocações durante toda a partida, o atacante partiu para cima do volante João Marcos após o apito final, gerando uma bagunça generalizada, que acabou com intervenção policial.

As polêmicas colecionadas pelo craque não se limitam a jogadores adversários. No mesmo campeonato, em uma vitória por 4 a 2 sobre o Atlético-GO, o atacante discutiu de forma ríspida com seu então técnico, Dorival Júnior. O episódio rendeu duras críticas de Renê Simões, treinador da equipe goiana na época, que chegou a dizer: “estamos criando um monstro”.

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Com o passar dos anos, as brigas cresceram em repercussão e gravidade. No Paulistão deste ano, contra o Ituano, o então jogador do Santos discutiu com o técnico adversário, Roberto Fonseca, e chegou a acusá-lo de racismo, acreditando ter sido xingado por Fonseca de macaco. A questão acabou esclarecida. Meses depois, esteve do outro lado do espectro: foi acusado pelos jogadores do Flamengo-PI de ofendê-los com os termos “paraíbas” e “mortos de fome” durante jogo pela Copa do Brasil, no qual recebeu muitas faltas.

Mesmo vestindo a camisa amarela da seleção brasileira, Neymar não escapou da fama de provocador. No intervalo do jogo contra a Venezuela, pela Copa América de 2011, foi vítima de uma bronca de César Farias, técnico adversário. O motivo era o excesso de faltas cavadas. Mano Menezes, que na época comandava o Brasil, correu em defesa de seu atleta e apartou antes que a discussão ficasse mais agressiva.

Assim como aconteceu com Mano Menezes, o craque sempre encontrou defensores entre os que trabalhavam a seu lado no dia a dia. Muricy Ramalho, quando o comandou no Peixe, sempre fez questão de afastar a fama de “cai-cai”, argumentando que, pelo seu porte físico, Neymar acabava se desequilibrando nas divididas. Luiz Felipe Scolari, atual treinador da seleção, considerou as críticas de Mourinho “absurdas”, falou em perseguição ao atacante e argumentou que o polêmico português quer “colocar os torcedores, a imprensa, e os árbitros contra Neymar”.

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Principal esperança brasileira na Copa do Mundo, o camisa 10 da seleção cada vez mais divide o mundo do futebol. Sua rápida adaptação ao Barcelona e crescente maturidade com a camisa canarinha impressionam e alegram a brasileiros e catalães. Por outro lado, o coro contra seu comportamento provocador começa a ser engrossado por vozes ao redor da Europa, berço do “fair-play”. As críticas podem conter um pouco de amargura pela dificuldade dos adversários em conter a habilidade do jogador, mas, a esta altura da carreira da jovem estrela, já é impossível separar seus dribles e gols da sua também vasta coleção de confusões.

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