Os adultos brasileiros realizaram uma corrida silenciosa por educação nas últimas duas décadas.

Cálculo feito pela Folha com base em dados do IBGE mostra que a fatia da população com idade entre 30 e 64 anos frequentando escolas e universidades, entre 1992 e 2012, dobrou, saltando de 1,5% para 3,4%.

Isso levou a saltos de escolaridade em algumas gerações. Entre os brasileiros com idade entre 30 e 35 anos, a parcela dos que tinham pelo menos o ensino médio completo em 1992 era 25,8%.

Em 2012, a fatia dos representantes dessa mesma geração, 20 anos mais velha, com o diploma do ensino médio tinha subido para 34,7%.

Os números foram levantados pelo pesquisador Naercio Menezes, do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, a pedido da Folha.

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“Essa tendência é um fato bastante desconhecido. Tem uma parcela da população adulta tentando recuperar o tempo perdido”, diz Menezes.

Uma combinação de fatores tem motivado a decisão de voltar a estudar.

A vontade de acompanhar o progresso educacional dos filhos e o desejo de conseguir melhor colocação no mercado de trabalho são alguns.

“Chegou um momento em que comecei a me ver sem ter nada para dar aos meus filhos”, diz Josina Pires, 48.

Isso ocorreu quando a filha Manuela recebeu da escola a missão de relacionar o filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, com a Revolução Industrial. “Eu não conhecia o contexto histórico por trás do filme.”

Além de estudar na rede pública, Manuela fazia um curso para entrar no Santo Américo com bolsa do instituto Ismart, que incentiva jovens de baixa renda com bom desempenho acadêmico.

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“O esforço dela me inspirou e decidi ir terminar o ensino médio”, diz Josina.

Na época, em 2000, ela trabalhava como ajudante de cozinha. Depois, Josina cursou faculdade de serviço social e, hoje, trabalha na área.

“Vendo o progresso dos filhos, os pais pensam que também podem correr atrás”, diz Maria Amélia Sallum, diretora do Ismart.

Para Ernesto Faria, economista da Fundação Lemann, a competição no mercado de trabalho com jovens cada vez mais escolarizados também pode contribuir para a decisão dos brasileiros mais velhos de voltar a estudar.

“O aumento da conclusão escolar para os mais jovens cria uma pressão para a população mais velha se qualificar, para que não percam seus empregos.”

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