O Qatar é o lugar mais difícil do mundo para um homem encontrar uma mulher, pelo menos segundo as estatísticas. O país possui quase 3 homens para cada mulher – o último censo oficial, divulgado no último sábado (30), aponta um índice de 2,87. E a diferença era ainda maior. Em 2010, eram mais de três homens por mulher (3,12).

Segundo o Qatar Statistics Authority, o país tem 2.068.050 habitantes, sendo 1.534.376 e 533.674 mulheres. Nas estatísticas, não foram incluídos catarianos ou estrangeiros com autorização de residência que estavam fora do Qatar no dia da pesquisa.

De acordo com dados divulgados neste ano pela Divisão da População da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2010, a média mundial da população era de 101,6 homens para cada 100 mulheres – ou 1,016 homem para cada mulher.

Depois do Qatar, a maior disparidade acontece nos Emirados Árabes Unidos (240,2 homens para cada 100 mulheres), seguido por outros quatro países do Oriente Médio (Bahrein, Kuwait, Omã e Arábia Saudita).

No outro extremo, conforme a ONU, a Letônia é o país com o maior número de mulheres por homens. Em 2010, havia 100 mulheres para um grupo de 84,1 homens (1,19). Depois aparecem Curaçao (1,18), Martinica (1,17), Lituânia (1,17) e Ucrânia (1,17).

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Em 2010, o Brasil apresentava uma taxa de 97 homens para cada 100 mulheres, segundo a ONU. A média era a mesma que a da Suíça, do Togo e do Turquemenistão. Os Estados Unidos também tinham um índice próximo (96,7 homens para cada 100 mulheres). Já para cada 100 mulheres chinesas, havia 107,4 homens chineses.

POUCAS MULHERES NA RUA
O goiano Cacimar Ferreira, de 35 anos, é um dos 766 brasileiros que moram no Qatar, segundo estimativa do Itamaraty de 2012. Há quase um ano em Doha, na capital do país, ele é categórico quando questionado se é possível perceber a diferença entre a quantidade de homens e mulheres no Qatar: “Demais da conta”.

Ferreira, que trabalha como assessor de um jogador de futebol, conta que vê mulheres andando nas ruas, mas que há muito mais homens. Ele acredita que a disparidade entre os sexos acontece por causa da constante chegada de trabalhadores no país. “Todos os dias chegam muitos migrantes para realizar trabalho braçal. São filipinos, indianos, e sempre homens”, diz.

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Além disso, ele acredita que a diferença nas ruas é grande porque as mulheres costumam se reunir apenas entre elas. “Em restaurantes, por exemplo, tem locais apenas para as mulheres, pois, como elas usam véus, podem comer sem que os homens as vejam.”

Segundo o fotógrafo paranaense Vinícius Lopes, que mora em Doha desde junho deste ano, porém, a diferença na quantidade de homens e mulheres diminui em festas. “Não frenquento baladas, mas conheço pessoas que vão, e os comentários são que você não nota tanta diferença”, comenta. Ele diz que isso acontece porque, como muitos homens que chegam ao Qatar ( o país será sede da Copa de 2022) são trabalhadores de obras, seus salários são baixos e eles não conseguem ir a casas noturnas.

Notando a grande disparidade ou não, o que também chama a atenção dos brasileiros é a diferença das mulheres locais com as brasileiras. “É extrema”, diz Lopes. “Pouquíssimas não cobrem o rosto. As que não cobrem jamais olham para o lado.”

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Ferreira ainda ressalta a cultura local de um homem poder se casar com mais de uma mulher. “[Deve ser] complicado ter mais de uma esposa em um país que tem pouca mulher. Mas isso acontece na alta sociedade, são pessoas que têm muito dinheiro.”

A sua mulher, a brasileira Eliane Galvão, também acaba sofrendo as consequências de um país com poucas mulheres e com uma cultura muito diferente da do Brasil. “Uma vez, no shopping, uma outra mulher chamou a atenção dela porque ela estava usando uma blusa de alcinha”, diz Ferreira. “Já os homens encaram sempre minha mulher. Não estão nem aí, olham mesmo. Mas ainda não chegaram a dar em cima dela.”

O casal, porém, não reclama do país. “Temos muitos amigos brasileiros. Diferente de outros países da região, como a Arábia Saudita, minha esposa pode dirigir. Ela sai sozinha com as amigas sem problemas. Há muita segurança e é um lugar muito bonito”, conta o brasileiro.

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