Escrevi há alguns dias um artigo chamado “Mentiras Simbólicas”. Entre outros temas abordei a Janela de Overton. Algumas pessoas me escreveram dizendo que gostaram do artigo e queriam saber um pouco mais sobre o tema. Não sou um especialista na área, mas vamos lá.

“O termo Janela de Overton foi dado em homenagem a Joseph P. Overton, que era vice-presidente do Centro Mackinac para políticas públicas (USA) nos anos 90 e criou um modelo que mostra como as opiniões públicas podem ser mudadas intencionalmente e de forma gradual por um pequeno grupo de pensadores (Think tank). Ou seja, ideias que antes pareciam impossíveis são plantadas na sociedade e, com o tempo, se transformam até mesmo no oposto do que era antes. Imaginemos qualquer causa politico/social (educação, descriminalização de drogas, não interessa). Para cada causa há um espectro de ideias que vai de um extremo a outro (do pensamento mais radical ao mais liberal). A Janela de Overton é o leque de ideias ‘aceitáveis’ na sociedade, ou seja, a posição da sociedade num dado espectro”.

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O aborto e o homossexualismo são temas interessantes para compreendermos a Janela de Overton. Com relação a esses temas, há um tempo a Janela de Overton estava na posição “contra”. O tempo foi passando e ela foi se deslocando. Atualmente está na posição “a favor, mas com ressalvas”. A tendência é que ela caminhe para a janela do “a favor”.

Ainda nesse contexto Edward Bernays cunhou a termo “Engenharia do Consentimento”, que descreve sua técnica de controle de massas. Segundo Bernays: “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática (…) Aqueles que manipulam este mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder do nosso país (…) Em quase todo ato de nossa vida diária, seja na esfera da política ou dos negócios, na nossa conduta social ou no nosso pensamento ético, nós somos dominados por um número relativamente pequeno de pessoas (…) que compreendem os processos mentais e padrões sociais das massas. São eles que puxam os fios que controlam a mente do público.”

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Pois bem, grande parte da sociedade é autômata. Pessoas que apenas seguem os padrões, não têm iniciativa própria e o pior, muitas vezes acreditam que tem controle sobre seu destino. Você conhece alguém assim? Talvez você seja assim!

Eu conheço várias pessoas que são autômatas. Eu também sou em algumas situações. Conheço também outras que são ressentidos passivos: pessoas que conseguem, na medida do possível perceber que estão sendo manipuladas e induzidas a acreditar e/ou defender ideias que não são tão legais assim. Não concordam com as coisas como elas são, mas não são capazes de se tornarem agentes ativos de mobilização.

Eu não sei como podemos fugir dessas manipulações, mas acredito que deixar de ser autômato é um começo. Na internet há muita informação sobre o tema e pessoas que são agentes ativos de mobilização. Pessoas nutritivas, inspiradores e que fazem a diferença por onde passam, embora não tenham uma grande estrutura para utilizar dos mesmos mecanismos que certas pessoas utilizam para manipular a massa, como Janela de Overton.

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O problema está em todo lugar. A solução também! Basta apenas observar as coisas com um olhar um pouco mais atento e desconfiado. E então, gostou? não gostou? e vai fazer o quê?!

 

Edilberto Magalhães

Turismólogo, Produtor Cultural e Servidor Público

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