Tomar um cafezinho, um chá quente ou uma água gelada, degustar um sorvete ou comer uma sobremesa podem se transformar numa angústia para uma significativa parcela da população mundial. Não há um número preciso, mas pesquisas indicam que entre 8% e 35% convivem cotidianamente com este transtorno, enquanto no Brasil os números variam entre 15 milhões e 30 milhões de pessoas.

Elas sofrem com a hipersensibilidade dentinária, uma sensibilidade exagerada na estrutura dentária, causada por uma retração da gengiva, cuja consequência é a perda do esmalte (camada externa do dente e sua defesa natural), deixando a raiz exposta. À medida que a gengiva se retrai, aumenta a exposição. Qualquer estímulo externo – térmico (quente ou frio) ou tátil (ingestão de alimentos ou escovação) – será doloroso.

Embora não seja uma doença, já que sua causa é uma doença periodontal, provoca no paciente uma espécie de choque no dente, seguido de dor. Essa sensibilidade exagerada pode ser tanto localizada, quando em um só dente, quanto generalizada, ao atingir vários outros dentes.

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Além da ingestão de alimentos e bebidas com temperaturas alteradas, também o ato de escovar os dentes passa a ser um suplício para quem é acometido da hipersensibilidade dentinária. Não há como evitar a higiene bucal na tentativa de fugir da dor, uma vez que o resultado é o acúmulo de placa bacteriana e, consequentemente, o surgimento de doenças.

Postergar o tratamento é conviver com um desconforto possível de ser evitado, já que (profissionais e pacientes) temos à nossa disposição várias alternativas de tratamento, que vão desde o simples uso de dessensibilizantes, cobertura com resina a cirurgias para enxerto de tecido conjuntivo.

O uso de dessensibilizantes é recomendado apenas em situações leves, no início do desconforto e, mesmo assim, após o diagnóstico, por meio de uma anamnese bem feita, e o acompanhamento freqüente do profissional dentista.

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O vedamento por meio de resinas compostas também tem suas limitações. Não contribui para a estética, pois deixa os dentes mais longos, e, com o tempo, se desgastam. À medida que o paciente ingere certos tipos de alimento como vinho e refrigerante aliado ao trauma da escovação, elas ficam porosas, perdem a cor ou amarelam.

Neste caso, a cirurgia periodontal para recobrir a raiz do dente (recobrimento radicular) é um procedimento previsível e satisfatório, feito por meio de enxertos de tecido conjuntivo, doado pelo próprio paciente, como um pequenino pedaço de pele do céu da boca.

É preciso levar em conta que o sucesso deste procedimento cirúrgico passa pela descontaminação da raiz (raspagem e alisamento), feita manualmente, por ultrassom e por meio químico. Estudos mostram, por exemplo, que a Clorixidina 0,12% é a que consegue eliminar um maior número de bactérias.

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Este procedimento permite cessar a hipersensibilidade e devolver a cor, a forma e a espessura adequada ao contorno gengival, fator de fundamental importância para a estabilidade do dente.

Por ser uma condição comum na periodontia, a hipersensibilidade dentinária merece toda atenção, especialmente em casos severos,  quando a alimentação e a escovação adequada ficam limitadas. Cai a qualidade vida e as atividades sociais do paciente ficam cada vez mais restritas.

 

Ernani Caporossi

Especialista em dentística restauradora e prótese dental

Membro fundador da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE),

Membro da Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral (SBOE) e

da Academia Brasileira de Osseointegração (ABROSS).

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