Uma doença silenciosa e perigosa que pode causar a morte de 32 mil brasileiros em 2014, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é a terceira causa de morte por câncer mais comum entre mulheres e a quarta em homens.

Em Mato Grosso, a realidade não é diferente. Os dados do Inca apontam o surgimento de 140 novos diagnósticos em mulheres e 130 em homens neste ano. Já em Cuiabá, este número deve chegar a 80 casos em mulheres e 60 em homens. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva em Mato Grosso (Sobed-MT) e diretor técnico do Centro de Endoscopia Cuiabá (CEC), Roberto Barreto, o alto número de incidência da doença é preocupante.

“O câncer colorretal é uma doença que nem sempre se manifesta e daí o motivo de tantos casos serem descobertos muitas vezes tardiamente. Tudo começa com o pólipo intestinal, uma espécie de lesão benigna, mas que deve ser retirado para evitar seu crescimento e degeneração”, explica o especialista.

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O pólipo é uma formação que pode ser encontrada sob a mucosa do intestino. Seu crescimento é lento pode levar de 10 a 15 anos para degenerar-se em um câncer. Históricos de predisposição ao câncer de cólon ou a formação de pólipos são fatores de risco que levam à necessidade de retirada desse material.

E foi um destes fatores que levou o corretor de imóveis, Luiz de Arruda Martins Neto, a procurar orientação médica. Seu irmão teve câncer de intestino e então seu médico o orientou a fazer anualmente a colonoscopia. “Mas não foi o que eu fiz. Fiquei dois anos sem fazer o exame e quando voltei ao médico, descobri que estava com câncer de intestino”.

O resultado foi a retirada de 80% do intestino e a realização de sessões de quimioterapia. Durante cinco anos, Luiz retirou alguns pólipos que insistiam em se formar, mesmo após a cura do câncer, porém após este período, nunca mais teve nenhum tipo de problema. “A colonoscopia foi essencial e muito importante na superação da doença que tive. Faz 10 anos que fui diagnosticado com câncer e me considero um homem de sorte por ter vencido a doença”, conta o profissional de 64 anos.

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A realização da colonoscopia, exame que permite a visualização completa do intestino grosso e do reto, previne e diagnostica possíveis tumores, como o que acometeu Luiz. Um estudo realizado por pesquisadores do Massachusetts General Hospital Gastrointestinal Unit revelou que a realização da colonoscopia a cada 10 anos a partir dos 50 anos de idade pode reduzir em até 40% o risco de desenvolver o câncer colorretal. Tal eficácia tornou o procedimento mais acessível e simplificado.

“Na colonoscopia conseguimos identificar pólipos e retirá-los no ato do exame, evitando a degeneração posteriormente. Atualmente o diagnóstico tem se tornado mais preciso graças à colonoscópios de altíssima definição (HD+) e com a magnificação de imagens (zoom óptico de 135 vezes)”, ressalta Roberto Barreto.

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O especialista explica também que o exame é indicado para homens e mulheres a partir dos 50 anos de idade, mas que em casos de doença na família o procedimento pode ser realizado a partir de 30 anos. Além disso, obesos e pessoas sedentárias também devem procurar orientação médica sobre a necessidade de realização do exame.

PROCEDIMENTO

O exame é realizado via retal, com o paciente sedado e dura, em média, de 20 minutos à uma hora. Um aparelho de fibra ótica permite a visualização completa do reto e do cólon. Essa visualização ocorre através de uma câmera inserida na extremidade do colonoscópio, cuja imagem é enviada para um monitor, permitindo assim, a análise simultânea do interior do cólon.

POSSÍVEIS SINTOMAS

Alguns sintomas podem ajudar a identificar o câncer colorretal, tais como:

-Mudança no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre);

-Desconforto abdominal com gases ou cólicas;

-Sangramento nas fezes;

-Sangramento anal;

-Sensação de que o intestino não se esvaziou após a evacuação.

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