O nono lugar no ranking mundial de tiro com arco diz muito sobre a precocidade do carioca Marcus Vinícius D’ Almeida. Aos 16 anos e com apenas quatro deles dedicados a modalidade, o garoto nunca se arriscou em outros esportes. O futebol, o basquete e o vôlei eram obrigações nas aulas de educação física, mas só isso.

Sem nenhum jeito para qualquer esporte com bola, Marcus viu seus olhos brilharem quando na reunião de pais da escola onde estudava, em Maricá, no Rio, a diretoria avisou que a Confederação Brasileira de Tiro com Arco buscava novos talentos. Curioso, tentou a sorte. Mal sabia Marcus que ali começava uma trajetória que deve levá-lo às Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Em Nanquim, nos Jogos Olímpicos da Juventude, entre os dias 21 e 24, o carioca, porta-bandeira do país na competição, terá a chance de provar por que é visto como um fenômeno no esporte. E não apenas no Brasil. No Mundial adulto do ano passado, em Belek, na Turquia, foi o mais jovem em ação. Acabou em 17º entre quase 140 arqueiros. Numa prática em que o Brasil não tem tradição histórica, Marcus aparece como o atleta capaz de escrever o nome do país no mapa do esporte. E não se assusta com isso. Pelo contrário.

– Eu sempre esperei chegar nessa posição, mas meus técnicos estão surpresos. Estou treinando para isso, dando o meu melhor, então, acho que não importa a sua idade, principalmente no tiro com arco. Estou conseguindo resultados que ninguém conseguiu no Brasil. Me sinto honrado por ser tratado como uma promessa. Ter o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a Confederação olhando para mim é um apoio, não vejo como uma pressão. Isso me faz treinar mais, ter vontade de conquistar maiores resultados – diz Marcus Vinícius.

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De fato, Marcus tem resultados impressionantes. Depois do Mundial do ano passado, ele conquistou neste ano o ouro nos Jogos Sul-Americanos, em Santiago, batendo o recorde da competição. Na Copa do Mundo da modalidade, ficou entre os nove primeiros nas quatro etapas, o que lhe garantiu uma vaga para a grande final, numa quinta etapa em que competem apenas os oito melhores do ano. Além do bom rendimento no individual, a fase também é boa coletivamente. Na segunda etapa da Copa do Mundo, na Colômbia, foi medalha de prata na dupla mista, ao lado de Sarah Nikitin. O pódio foi o primeiro na história do Brasil no tiro com arco.
No último dia 10, Marcus esteve entre os quatro melhores do mundo na quarta etapa da Copa do Mundo, na Polônia. O rosto de menino ainda causa curiosidade nos rivais.

– Se tivermos três pessoas da minha idade competindo no circuito internacional, é muito. No ano passado, de 140 arqueiros, eu era o mais novo. Procuro não me preocupar com isso. É um esporte entre você e o alvo. É indiferente quem está ao seu lado. Quem você combate. Mas, claro, quando você combate com alguém mais velho, percebe que ele olha para você e talvez tem esse olhar de curiosidade – brinca Marcus.

Para 2016, Marcus acredita que pode brigar por medalha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Seria uma surpresa e tanto para os brasileiros, mas não para o atleta.

– Temos um projeto, com quatro arqueiros se dedicando para os Jogos Olímpicos. Estamos em uma sequência forte de treinamento. Acredito que tenho chance de conseguir uma medalha em 2016. Significaria que todo o esforço, de estar longe da família, dos amigos, valeu a pena. Eu faço o que eu amo, seria mágico para mim.

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CAMINHO ATÉ O TIRO COM ARCO

Marcus Vinícius nasceu no Rio de Janeiro. A mãe é funcionária pública e o pai hoje está aposentado. Criado na capital até os seis anos de idade, mudou-se para Maricá, na Região dos Lagos, estado do Rio de Janeiro. E foi na cidade, na escola, onde o menino conheceu o tiro com arco. Depois de passar pela natação, Marcus recebeu na reunião dos pais e professores a notícia de que a Confederação Brasileira de Tiro com Arco, sediada em Maricá, procurava novos talentos. Por curiosidade e por não se dar bem com outras modalidades, resolveu se arriscar. Com 14 anos já estava na seleção brasileira. E aí, um novo horizonte se abriu.

– Fui para conhecer por curiosidade. Na reunião de pais eles disseram sobre a Confederação. Gosto muito de competir. E nessa modalidade você pode começar a competir praticamente logo depois que começa a praticar. Me apaixonei pelo esporte. Com 14 anos, fui chamado para a seleção brasileira. E quando isso acontece, você acorda, percebe que pode ir para um Mundial. Ir para a seleção me motivou muito. Competi, e vi que poderia ir longe. Há um ano eu não conseguia alguns resultados, e hoje já consigo. Isso me motiva ainda mais. O tiro com arco te deixa ver rapidamente essa evolução – garante Marcus.

Hoje, Marcus mora em Campinas, São Paulo, onde treina e compete. Longe da família há dois anos, foi terceiro colocado no ranking nacional adulto, no ano passado. E de um ano para cá, evoluiu de forma surpreendente, sendo o melhor arqueiro brasileiro na Copa do Mundo, em que está em segundo entre os oito finalistas e o nono no ranking mundial. Em Nanquim, Marcus acredita que pode beliscar o pódio.

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– Os competidores não são os mesmos do adulto. Sempre vou para competição com atletas acima de 17, 18 anos. São outras pessoas. No ano passado, na categoria cadete, que teremos em Nanquim, fiquei em nono no Mundial, então, de um ano para cá, com o que evoluí, tenho chances de medalha.

MODALIDADE ACESSÍVEL

Uma primeira conversa sobre o tiro com arco pode afastar pretendentes. Um equipamento intermediário do arco olímpico, da modalidade usada nas competições das Olimpíadas, pode custar a partir de R$ 1,5 mil. O equipamento de Marcus, hoje, sai pelo preço de R$ 7 mil e é todo importado. Ele explica, porém, que os clubes disponibilizam o material para os iniciantes e que o esporte é democrático, sem cobrar um biotipo específico do atleta.

– Acho que falta mais divulgação. Se tivéssemos, teríamos grandes atletas. Para o alto rendimento, faltam mais participantes, pois assim competiríamos mais vezes no país. Temos locais de treinamento em várias cidades, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais. Hoje em dia, até tenho pessoas para competir comigo, mas poderíamos ter mais. É possível se adaptar. É um esporte em que tudo tem seu tempo. Não vejo um biotipo específico. Não precisa ser alto, ter o braço largo… – explica Marcus Vinícius.

 

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