O Mundial de Surfe de 2015 não começou da melhor forma para o atual campeão  Gabriel Medina. Nesta quarta-feira no Brasil (manhã de quinta na Austrália), o brasileiro acabou eliminado de forma polêmica na terceira fase da etapa de Gold Coast, após ser punido por “interferência” no duelo contra o irlandês nascido na Austrália, Glenn Hall.

No lance da sua eliminação, Gabriel tentou pega uma onda, mas Glenn, que possuía a prioridade, também remou para ela. Ao ver o adversário, o brasileiro até tentou recuar, mas Hall acabou se jogando da prancha. Os árbitros da WSL entenderam que Medina atrapalhou o rival e penalizaram o brasileiro. Com isso, ele teve invalidada uma de suas notas, o que lhe deixou apenas com a melhor que conseguiu, ou seja, 7,50. Já Hall, somando as duas melhores, chegou a 14,23. Caso não tivesse sido penalizado, o brasileiro teria se classificado, pois conseguiu 7,23 nos minutos finais e teria alcançado 14,73. Em desacordo com a decisão, o padrasto e treinador Charles chegou a aplaudir ironicamente os árbitros após o anúncio da interferência.

Para consolo do atual campeão, Gabriel não foi o único favorito a cair no round 3. Os campeões Kelly Slater (EUA) e Joel Parkinson (AUS), bem como o promissor John John Florence (HAV). Além disso, quatro brasileiros avançaram às quartas de final: Mineirinho, Filipe Toledo, Miguel Pupo e Wiggolly Dantas. Já Ítalo Ferreira, que havia eliminado Slater mais cedo, acabou caindo na repescagem.

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Medina discorda de decisão dos árbitros

Chateado com a derrota polêmica, Gabriel deixou a praia de Snapper poucos minutos depois da bateria. Uma hora depois, mais tranquilo, o brasileiro voltou ao local e atendeu pacientemente todos os repórteres.

– Não aconteceu nada. Não vi as imagens ainda. Mas eu saí da onda antes dele subir. Mas deram interferência. Não sei por quê. Se não fosse a interferência, eu teria vencido. Agora é pensar em Bells. Tem mais dez etapas. Há muita coisa para rolar ainda – lamentou Gabriel.

Hall deu sua versão sobre a polêmica:

– Durante a bateria tivemos um problema e não pude fazer uma onda limpa. Tinha a prioridade e estava remando para a onda, ele me seguiu. Sei que ele tem fãs, é apaixonado, mas assim é o circuito. Temos que manter a calma e o foco – afirmou Glenn Hall, citando o desentendimento na água que custou uma nota a Medina.

A bateria

Glenn Hall começou a bateria mostrando disposição. Foi o primeiro a pegar onda, anotando 4,50. Medina respondeu em seguida: com boas manobras, marcou 6,67. Mas o irlandês não estava para brincadeira: em mais duas ondas fez 6,83 e 5,93, reassumindo a dianteira com 12,76.
Na sequência, Gabriel voltou à liderança com um 7,50, o que lhe rendeu 14,17 na somatória. Mas Glenn deu o troco logo depois ao conseguir uma onda mais limpa, de nota 7,40, levando a somatória para 14,23.

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A esta altura, restando ainda 15 minutos para o fim da bateria, Medina passava a precisava de uma nota 6,73 para não ser eliminado. Com o mar pequeno e sem muitas oportunidades, o paulista encontrava dificuldades para mostrar seu surfe agressivo. Medina bem que tentava. Tirou um 5,00, um 6,23, um 6,50 e um 5,30. Todos insuficientes. O cronômetro corria contra e a bateria ganhava contornos de tensão.

Medina comete “interferência” e é punido

E foi aí que surgiu o problema. O brasileiro tentou pegar uma onda quando a prioridade era de Hall, que estava localizado mais embaixo do pico e também remou para ela. Ao ver o rival, Gabriel até tentou recuar, mas teria acabado atrapalhando o irlandês, que caiu. Os dois chegaram a discutir na água.

Nos minutos finais, Medina ainda conseguiu uma boa onda, que lhe renderia 7,23, o suficiente para virar. Mas pouco antes, após analisar várias vezes o replay, os árbitros haviam decretado a “interferência”. Com isso, o brasileiro perdeu sua segunda nota, ficou com apenas 7,50 e foi eliminado.

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Resultados da 3ª fase:

1: Kelly Slater (EUA) 8,77 x 13,00 Ítalo Ferreira (BRA)
2: Josh Kerr (AUS) 13,20 x 13,67 Miguel Pupo (BRA)
3: Joel Parkinson (AUS) 9,93 x 15,77 Wiggolly Dantas (BRA)
4: Taj Burrow (AUS) 16,60 x 11,24 Sebastian Zietz (HAV)
5: Nat Young (EUA) 8,94 x 10,43 Julian Wilson (AUS)
6: Gabriel Medina (BRA) 7,50 x 14,23 Glenn Hall (IRL)
7: Mick Fanning (AUS) 17,56 x 15,00 Dusty Payne (HAV)
8: Owen Wright (AUS) 14,44 x 15,90 Bebe Durbidge (AUS)
9: Adriano de Souza (BRA) 14,76 x 1,13 Fredrick Patacchia (HAV)
10: Jordy Smith (AFS) 14,67 x 13,90 Matt Banting (AUS)
11: Kolohe Andino (EUA) 15,74 x 18,50 Filipe Toledo (BRA)
12: John John Florence (HAV) 16,13 x 17,83 Matt Wilkinson (AUS)

Confrontos da quarta fase:

1: Italo Ferreira (BRA) 13,37 x Miguel Pupo (BRA) 17,23 x Wiggolly Dantas (BRA) 13,47
2: Taj Burrow (AUS) 11,13 x Julian Wilson (AUS) 15,73 x Glenn Hall (IRL) 10,50
3: Mick Fanning (AUS) 16,50 x Bede Durbidge (AUS) 14,50 x Adriano de Souza (BRA) 16,50
4: Jordy Smith (AFS) 16,57 x Filipe Toledo (BRA) 17,83 X Matt Wilkinson (AUS) 12,23

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