Passaram-se 23 anos desde que Anderson Silva se despediu do taekwondo, esporte que começou a praticar quando ainda era um menino de sete anos. Desde então, fez nas artes marciais um caminho vitorioso, se tornando por muito tempo referência do MMA (artes marciais mistas) e campeão dos médios do UFC. Agora, aos 40, quer voltar às origens. Nesta quarta-feira, em uma coletiva de imprensa realizada no Rio de Janeiro, ele anunciou que não medirá esforços para conseguir se classificar para os Jogos Olímpicos de 2016, como atleta de taekwondo.

– Estou tentando devolver para o esporte o que o esporte me deu. Comecei no taekwondo, e o taekwondo mudou a minha história. Eu já estou treinando, nunca parei de treinar. Existe essa possibilidade, sempre foi uma coisa que eu quis fazer, mas não havia a possibilidade por conta dos meus compromissos estarem muito ativos dentro do UFC. Agora estou tendo essa oportunidade – disse Anderson Silva, que no começo de fevereiro foi flagrado no doping e aguarda julgamento.

críticas e cara a tapa

Ao lado de Anderson Silva na coletiva, o presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD), Carlos Fernandes, celebrou a oportunidade de ter um atleta como o Spider em busca de uma vaga olímpica. Sobre um possível descontentamento de representantes do taekwondo nacional, Anderson deixou claro que pretende disputar os processos de seleção e não passar por cima de outros atletas. Se disse disposto, inclusive, a ”passar vergonha” caso não esteja preparado da melhor forma.

– Claro que meus companheiros têm alguma razão no que eles falaram, com certeza, parei de treinar taekwondo quando eu tinha 17 anos, então a dificuldade que vou encontrar do taekwondo da minha época para o de hoje é muito maior. Mas é um desafio o qual estou disposto a enfrentar, não estou preocupado em passar vergonha, até pelo o que fiz pelo esporte. Tudo o que o taekwondo me deu serviu para que eu levasse o país aonde precisava levar, que era transformar nosso país durante muito tempo na maior força dentro do MMA mundial. No taekwondo vou tentar fazer a mesma coisa, não por ter que provar algo para alguém, mas estou aqui para ajudar o esporte e fortalecer quem me fortaleceu durante anos – disse Spider, que também ressaltou que não quer ”tomar a vaga de ninguém”.

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A possibilidade de Anderson buscar mesmo a vaga em 2016 também chegou a gerar polêmica entre os atletas do taekwondo brasileiro. Principal lutador do país na categoria acima de 80kg, Guilherme Félix desabafou nas redes sociais. Apontou que o ”marketing” em torno da história deveria ser tratado como uma ”piada”.

sem regalias

Mais uma vez, o presidente da CBTKD deixou claro que Anderson Silva não terá nenhum tipo de regalia ou favorecimento nas disputas de seletivas, que devem começar a partir de janeiro de 2016. No entanto, reconheceu o potencial de marketing que o Spider pode ter para a modalidade.

– Na seletiva nacional que iremos fazer não terá ranking. A ideia é fazer a “chapa esquentar” e que vençam os melhores. O ranking é pontuado todo ano, mas a nossa ideia aqui, da comissão técnica com a presidência, não é que o ranking prevaleça. Entendemos que atleta é bom é o que está em dia. Isso vai prevalecer para ver quem vai para as Olimpíadas – disse Carlos Fernandes.

Para os Jogos de 2016, a seleção brasileira tem quatro vagas garantidas (duas no masculino e duas no feminino) por ser sede do evento, e outras quatro podem ser conquistadas pela posição dos brasileiros no ranking. Na semana passada, a CBTKD anunciou que, após uma reunião com o Comitê Rio 2016, ficou decidido que a primeira categoria de peso contemplada seria justamente a peso-pesado masculino, na qual Anderson vai competir. As seletivas internas, que definirão os nomes em cada categoria, serão no início do ano que vem.

doping: comissão atlética x wada

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Anderson Silva ainda enfrenta uma questão envolvendo doping. No início de fevereiro, ele foi flagrado em um exame após sua luta diante do americano Nick Diaz, que marcou seu retorno ao octógono do UFC após a grave lesão na perna. Diante do fato de a Comissão Atlética de Nevada não estar vinculada à Agência Mundial Antidoping, a CBTKD considera que não exista problema nesse sentido. O lutador diz estar respeitando todo o processo enquanto aguarda seu julgamento, que ainda não tem data. A primeira audiência, para ouvir a defesa, será no início de maio.

– Estou respeitando todo o processo, o julgamento foi adiado de novo, não pedi, foram meus advogados que pediram, não sei o motivo, e estou aguardando porque até agora não sei o que aconteceu. Me perguntam por que não me pronunciei, mas é porque não sei ainda o que aconteceu. De repente vou falar uma coisa da qual não sei e isso pode me prejudicar. Então vou esperar a comissão decidir o julgamento, e os advogados e médicos que contratamos vão levar os exames para mostrar o que aconteceu e ver o que eles vão decidir. Em relação à comissão me impedir de participar da seletiva, não sei se isso vai acontecer. São duas coisas bem distantes, mas se houver esse impedimento da comissão, vou respeitar. Sou atleta e tenho que respeitar o que a comissão disser.

treinamentos

Anderson Silva promete também trabalho intenso de treinamentos. A ideia da Confederação é que ainda esse ano ele participe de torneios nacionais ou Opens nacionais, já que não faz parte da seleção. O presidente afirma que ele deve retornar ao Rio de Janeiro para trabalhar voltado para a modalidade.

– Acho que, primeiramente, tenho que voltar aos treinos, sou realista, sei que as condições que tenho hoje de participar de qualquer competição neste sentido está muito longe. Tenho que me preparar para isso. Ganhar velocidade, aprender a usar o equipamento que está totalmente mudado, mas a expectativa é grande. Acho que você nunca pode deixar de acreditar nos sonhos, sempre acreditei e não é agora que vou deixar de acreditar. Acho que vai haver dificuldade, e o “não” eu já tenho, derrotas eu já tenho, o máximo que vai acontecer é não conseguir resultado esperado, mas vou tentar – prometeu o Spider.

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começo no taekwondo

Durante a entrevista, Anderson relembrou o início da carreira. O taekwondo foi o esporte que o “apresentou” ao MMA, onde seus chutes sempre foram essenciais para o sucesso:

– Tinha amigos que treinavam, mas não tinha condições de comprar o material. Tinha uma academia em cima do meu colégio. Eu limpava os espelhos da academia até que me chamaram para treinar. Minha tia um dia foi me buscar na escola e eu estava lutando na academia. Quando ela viu que era sério, todo mundo treinando, deixou eu seguir – lembrou, sorrindo.

taekwondo “ganhou na loteria”

Mandatário da Confederação Brasileira de Taekwondo, Carlos Fernandes falou sobre a importância de um nome conhecido no Brasil inteiro entrar para a modalidade. Segundo ele, o taekwondo ganhou na loteria:

–  Acho que todos sabemos que marketing é caro, ainda mais no Brasil, e o Anderson, com esse desejo dele, foi uma loteria. Diria que ganhamos na mega-sena, né, campeão? Está sendo bom para os dois. Para a gente do taekwondo, confederação, Anderson, estamos precisando disso. Sabemos que patrocínio é complicado no Brasil, país do futebol e por que não ser o país das lutas, das artes marciais? Falando do lado técnico, diria que nós pensamos do Anderson… Vejo que o Anderson é que nem água. Vai surpreender muita gente. Ele é água porque água, se você bota no pote, vira o pote, se coloca num copo, vira o copo. O Anderson se adapta a qualquer circunstância. Quem estiver pensando o contrário, da sua superioridade, vai se enganar. Anderson é muito inteligente – disse o presidente.

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