Está em processo de construção na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a política pedagógica para atender o público de imigrantes que vive em Mato Grosso. A política estadual vai dar respaldo ao trabalho que já vem realizando pela pasta. “Sem a política, o atendimento fica fragilizado”, pontuou Antonieta Luiza da Costa, assessora técnica pedagógica da Coordenadoria de Diversidades da Seduc.

Para a elaboração da proposta pedagógica estadual a Seduc está realizando um diagnóstico desde o ano passado, com visitas aos municípios, onde são realizados levantamentos do quantitativo de imigrantes que precisam de atendimento. O resultado final tem previsão de conclusão ainda no primeiro semestre de 2016.

Estima-se que entre os imigrantes estão cerca de 6 mil haitianos, além de outras nacionalidades. O diferencial dessa política está na matriz curricular de ensino, que terá carga horária específica abrangendo o componente curricular que eles tem mais dificuldade, ou seja, a língua portuguesa. O atendimento com o conteúdo pedagógico diferenciado começará já em 2016, com a ampliação de aulas de linguagens.

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Além de Cuiabá e Várzea Grande, onde vivem mais de 2 mil haitianos, há demanda em Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde. Especialmente, em Sorriso, a demanda chega a 300 haitianos.

Em Cuiabá, o número de atendidos ultrapassará os 200. No entanto, com base no quantitativo de haitianos, a Seduc prevê uma demanda bem maior, que vai procurando espaço na escola aos poucos. No Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Profª Almira de Amorim Silva, por exemplo, estudam 130 imigrantes e na Escola Estadual Leovegildo de Melo, outros 60.

Para este ano outros 38 deles procuraram a Escola Estadual Heliodoro Capistrano da Silva, no Parque Cuiabá. Essas escolas estão entre aquelas que oferecem a Educação de Jovens e Adultos, além do ensino regular, na rede estadual. Elas se diferem dos Cejas, que no caso, atendem exclusivamente com o Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

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Os Cejas são mais indicados para prestar atendimento aos imigrantes, devido à flexibilidade no ensino, que é modular. O aluno faz a programação e pode dar continuidade onde estiver, sem perda de conteúdo ou de aprendizagem, desde que seja num desses Centros.

De acordo com Luiz Alberto Alves Santiago, da coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos da Seduc, o público de haitianos é rotativo. Com exceção daqueles que têm emprego fixo. “Eles mudam constantemente de cidade, conforme as oportunidades de emprego”, frisou Luiz Alberto.

Interessados poderão procurar as assessorias pedagógicas dos municípios e as escolas que disponibilizam o Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

Facilidade

O atendimento aos haitianos facilita porque há entre eles intérpretes que falam bem o português e traduzem para os demais. Além disso, os mais influentes também cooperam na ajuda.

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A construção da política pedagógica para imigrantes vai atender não apenas haitianos, mas angolanos, senegaleses, japoneses, bolivianos, sírios, entre outros povos que residem em Mato Grosso. De acordo com a coordenadoria de Diversidades, há informações de que quase 200 crianças de diversas nacionalidades são atendidas pelo município de Cuiabá.

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