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Desde que o Brasil começou a vivenciar um surto de microcefalia causado pelo vírus zika, pesquisadores do país inteiro passaram a se dedicar a entender a ação desse micro-organismo, transmitido pelo mesmo mosquito que carrega a dengue e o chikungunya.

Entre eles está um time de cientistas capitaneado por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que descobriu, recentemente, um achado importante sobre esse agente infeccioso. Em um estudo publicado no dia 7 de janeiro no respeitado periódico The Lancet, os experts apontaram, pela 1ª vez, que o zika também causaria danos oculares em bebês que nascem com a malformação cerebral.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores examinaram um grupo de 100 crianças com microcefalia supostamente causada pelo vírus zika. Embora os estudiosos não tenham feito o exame de sangue para detectar o micro-organismo, as características dos bebês preenchiam todos os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para classificar o quadro.

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Além disso, os cientistas testaram as mães para outras possíveis causas da malformação cerebral na gravidez, como alterações genéticas, toxoplasmose, rubéola, sífilis, HIV, herpes e citomegalovírus. “Todas essas doenças foram excluídas, então são muito fortes as evidências de que a causa seja, de fato, o zika”, conclui o oftalmologista Mauricio Maia, um dos autores do estudo.

As mulheres e seus filhos foram submetidos a exames oftalmológicos. Nenhuma delas apresentou qualquer tipo de lesão; já os pequenos, num grupo de dez participantes avaliados inicialmente, três tinham alterações na mácula – a porção da retina que nos permite ver cores e formas. Os cientistas creem que, considerando um contingente maior, esses problemas também devem ser frequentes. “A gente acredita que eles podem estar envolvidos em um quarto das crianças”, estima Maia, que também é professor da Unifesp.

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O zika e o feto

Os pesquisadores ainda desconhecem o motivo pelo qual o vírus causa tantos danos ao bebê e não à grávida. Mas eles têm buscado entender como o micro-organismo age dentro do corpo da gestante. “A nossa hipótese é baseada no que já conhecemos de outras infecções congênitas”, diz Mauricio Maia. Nesses casos, o agente infeccioso atravessa a placenta e, em seguida, provoca uma reação inflamatória no cérebro do feto. Isso faz com que as estruturas cranianas do bebês fechem precocemente, causando a microcefalia.

Essas crianças podem apresentar, ao longo da vida, dificuldades para andar e falar, problemas neurológicos e déficit intelectual. Agora, sabe-se também que, se forem infectadas pelo vírus zika, elas podem se tornar cegas. “As lesões na retina não têm cura. Por isso, temos que trabalhar no sentido de alertar as autoridades para controlar o mosquito”, alerta o médico.

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