Um drone branco com asas vermelhas parte de uma rampa de lançamento: a bordo transporta sangue para o hospital de Kabgayi, oeste de Ruanda, a poucos quilômetros de distância.
Esta semana Ruanda apresentou a primeira base de drones que serão utilizados para abastecer de sangue 21 clínicas da região oeste do país. A base fica em Muhanga, a 50 km da capital do país, Kigali, e será inaugurada esta sexta-feira na presença do presidente Paul Kagame.

Foto: Stephanie Aglietti / AFP
Foto: Stephanie Aglietti / AFP

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a África tem a maior taxa de mortalidade materna do mundo por causa das hemorragias pós-parto. O acesso às transfusões de sangue é crucial para as mulheres do continente.
Ruanda não é uma exceção e a topografia íngreme do “país das mil colinas” dificulta o transporte por rodovias, sobretudo durante a temporada de chuvas.
“O sangue é um bem precioso e não é possível armazená-lo em grande quantidadee em cada centro de saúde do país”, explica à AFP Keller Rinaudo, diretor geral da empresa americana de robótica Zipline, que projetou a base e seus 15 drones.
“O sistema permitirá ao governo de Ruanda fornecer instantaneamente transfusões de sangue vitais a qualquer cidadão no país em entre 15 e 30 minutos”, garante.
O projeto é realizado com a colaboração da aliança internacional Gavi, criada no ano 2000 para facilitar a distribuição de vacinas em todo o mundo, e a Fundação UPS, que desembolsou 1,1 milhão de dólares.
O governo ruandês terceiriza o fornecimento das bolsas de sangue a Zipline por um custo quase equivalente ao do transporte viário, segundo a empresa americana.
Os drones “Zips” têm o formato de um pequeno avião. Funcionam com energia elétrica graças a baterias e dispõem de uma autonomia de 150 quilômetros. Cada drone pesa 13 quilos e pode transportar uma carga de 1,5 kg, o que representa três bolsas de sangue.
Os aparelhos partem com uma propulsão de 80 km/h da rampa de lançamento e alcançam até 70 km/h em pleno voo: podem realizar 150 entregas por dia de forma autônoma.
Sob uma tenda, os técnicos acompanham as operações em laptops e vários funcionários reúnem as pequenas caixas vermelhas de papelão equipadas com um paraquedas que contém as bolsas de sangue. Os aparelhos devem lançá-las quando estiverem a 20 metros do chão.

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