Uma fila com pelo menos dezenas de pessoas tem se formado praticamente todos os dias na rua João Pessoa, no prédio que abriga o Sistema Nacional de Emprego (Sine). Em sua maioria, desempregados, aguardando para dar entrada no Seguro Desemprego.

Lourivaldo Castro da Silva (esquerda) e Éder Alves de Oliveira (direita) dormiram na fila para dar entrada no seguro desemprego - Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT
Lourivaldo Castro da Silva (esquerda) e Éder Alves de Oliveira (direita) dormiram na fila para dar entrada no seguro desemprego – Foto: Ronaldo Teixeira / AGORA MT

Nesta terça-feira (08), os dois primeiros lugares na fila, que distribui aproximadamente 140 senhas para atendimento, que começa às 07h30 e vai até às 13h30, foram Lourivaldo Castro da Silva e Éder Alves de Oliveira. Para garantir que eles seriam realmente atendidos, eles chegaram no local, ontem (07), Lourivaldo às 23h e Éder às 00h.

Em comum Lourivaldo e Éder tem, além do desemprego a profissão, são caminhoneiros. Ambos dormiram na rua, acomodados em seus carros, mas informaram que um terceiro homem, se viu obrigado a dormir ao relento, já que não tinha outro modo de se manter na fila.

Apesar da humilhação de ter que passar mais de 9h na fila para conseguir uma senha para ser atendido, Éder disse à nossa reportagem que só assim ele iria garantir a ceia de fim de ano. “É melhor passar agora umas horinhas na fila e garantir o pernil do Natal”, disse ironicamente.

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A RESPOSTA DO SINE

Pessoas aguardando para ser atendidos no Sine Rondonopolis - Foto: Varlei Cordova/ AGORA MT
Após horas na fila do lado de fora desempregados ainda enfrentam uma nova fila dentro do Sine Rondonópolis – Foto: Varlei Cordova/ AGORA MT

Segundo a coordenadora em Mato Grosso do Sistema Nacional de Emprego (Sine), Juciane Marta de Aguiar, ela desconhece qualquer problema no atendimento e filas no município de Rondonópolis, “Estive em Rondonópolis no mês passado fazendo uma visita de avaliação e não consegui perceber nenhuma anormalidade no atendimento”, disse.

Para Juciane o que pode ter acontecido para um aumento repentino de filas seria a falta de atendimento dos bancos, “Acho que a greve dos bancários, atrapalhou um pouco o nosso atendimento, já que o segurado tem que ir ao banco para dar andamento ao processo e isso pode ser um fato causador no aumento nas filas para o atendimento”, adiantou.

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Quanto ao fato das enormes filas se formarem diariamente na frente da instituição, Juciane foi categórica, “Não há necessidade das pessoas dormirem na fila para serem atendidas”.

EM TEMPO

Apesar da central de atendimento do Sine em Rondonópolis ter um responsável, um homem que não quis se identificar, ele se recusou a falar com a nossa reportagem, esclarecendo que era proibido de dar entrevistas e fazer fotografias do local.

A reportagem do AGORA MT, entende que por se tratar de funcionário e local público, a imprensa não só deveria ter franquiada a sua entrada, bem como o responsável local, tem por obrigação prestar esclarecimentos à população, que paga regiamente seus salários através do recolhimento de impostos.

FATURANDO

Edijalma Francisco de Aparecido tem uma lanchonete em frente ao posto do Sine - Foto: Ronaldo Teixeira/AGORAMT
Edijalma Francisco de Aparecido tem uma lanchonete em frente ao posto do Sine – Foto: Ronaldo Teixeira/AGORAMT

Apesar da fila de desempregados, há quem consiga ver um bom negócio na situação. É o caso do pequeno empresário, Edjalma Francisco de Aparecido, ex-gerente de um hotel no município de Itiquira (MT). O visionário, montou, há cinco anos, um pequeno comércio em frente ao prédio onde funciona o Sine, uma pequena lanchonete, que abre as 05h e serve café da manhã para os trabalhadores que estão na fila.

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Além do café da manhã, Edjalma, ainda tem uma máquina de fotocópia (Xerox), que aumenta do faturamento do comércio, “Hoje posso dizer que o nosso faturamento é meio a meio, metade vem das fotocópias e metade do café da manhã”, revelou.

Edjalma ainda revelou que o seu comércio ainda serve de uma espécie de pré-atendimento aos trabalhadores, “Eles (trabalhadores) chegam aqui com muitas dúvidas, então a gente acabando repassando informações, orientando sobre a documentação e como deve ser o procedimento para dar entrada especialmente no seguro desemprego”.

O pequeno empresário ainda fez uma revelação, “Nas últimas semanas cresceu muito o número de caminhoneiros desempregados e pela experiência dos meus cinco anos trabalhando aqui, diariamente, este número deve aumentar até o final do ano”.

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